Pelo espaço sideral circula uma nave armada até os dentes, destruindo asteróides e inimigos. Mísseis, bombas, lasers, tiros estrelados espetaculares em curva, escudos de força – vale tudo neste combate sci-fi até a morte. É o game Solaris 104, da Apollo Entertainment, um dos destaques no site da RealNetworks (www.real.com/games/solaris). ‘‘Gosto deste tipo de shooter clássico’’, avaliou no site o gamer Dan, de Seattle, nos Estados Unidos. ‘‘Lembra-me os games que costumava jogar quando criança, só que é moderno, com gráficos muito legais e efeitos sonoros na medida’’. Seu colega Jason Milgren, de Sacramento, Califórnia, também entrou com tudo no clima do game: ‘‘Nossa, muita coisa acontece ao mesmo tempo! Este jogo fará sua cabeça girar. Apenas acelere e continue atirando...’’
Detalhe: o game foi totalmente desenvolvido no Rio de Janeiro, por uma equipe de programadores que alcançou altíssimo nível de renderização e adrenalina no produto final – e acabou se tornando um dos games brasileiros para PC a chamar a atenção no exterior.
A versão demo do jogo, que é gratuita, já tem mais de 100 mil downloads e chegou a estar entre as sete primeiras mais baixadas no site da Real. Esta versão free tem 1Mb e a full, que é vendida por US$ 20, tem 20Mb, com dez fases. (Mas o jogo original tem 200Mb e 13 fases.) Todas as batalhas são intercaladas por cenas dignas de qualquer desenho animado com qualidade digital.
O mais curioso é que o Solaris 104, até alcançar a atual versão, passou por muitas fases. Quem conta a saga é um dos criadores da Apollo Entertainment e gerente de projeto do jogo, Murilo Abreu. ‘‘Tudo começou com um projeto caseiro, que acabou levando cinco anos’’, recorda. ‘‘Eu e o programador Jorge Hodge nos conhecemos via BBS, e descobrimos que sempre quiséramos fazer um jogo... Na época, em 1995, o 386 era ainda uma boa máquina, daí desenvolvermos para ela inicialmente. Planejamos abrir uma empresa, mas, diante da burocracia da legislação brasileira, resolvemos montar um esquema de garagem na casa da minha avó.’’
Murilo e Jorge mergulharam em telas e telas de código, criando batalha após batalha. Logo imaginaram poder distribuir sua criação com a ajuda de alguma grande empresa. ‘‘O jogo foi terminado em dezembro de 99’’, conta Murilo. ‘‘Mas antes já tínhamos conversado com a Apogee e com a Epic, que acabara de distribuir o Wolfenstein 3D (precursor dos grandes sucessos Doom e Quake). Tenho até faxes lá em casa com discussões sobre percentuais...’’
O ano 2000, porém, foi o da grande virada. Em maio, a Apollo fechou acordo com a RealNetworks americana. ‘‘Foi rápido e objetivo. O contrato chegou pelo correio, eu assinei, devolvi, pronto. Hoje o cheque chega também pelo correio, não há burocracia’’, garante Murilo.
O que falta agora é colocar o Solaris 104 numa caixinha. E é aí que entra a Innovate, incubadora do banco Opportunity que foi criada há cerca de quatro meses e pretende ser um misto de incentivadora de negócios com laboratório de desenvolvimento de tecnologia, segundo Fernando Wagner da Silva, coordenador da área de games. ‘‘Achamos que o mercado de games no Brasil tem um potencial muito grande, ainda não está explorado de modo eficiente’’, diz. ‘‘Estamos fazendo contato com outras empresas de desenvolvimento em São Paulo e no Sul.’’
A equipe do jogo inclui ainda Paulo Guimarães (especialista em computação gráfica) e Ary Monteiro (designer). Marcello Rosauro compôs a trilha sonora durante as batalhas, e, nos intervalos entre fases, a equipe se valeu do único estrangeiro envolvido na história: o alemão Volker Tripp (que foi contactado pela Web e enviou via ciberespaço as músicas).
De acordo com Fernando, até o fim do primeiro trimestre de 2001 a versão retail do game deverá estar nas lojas. A Innovate conversa tanto com distribuidoras nacionais quanto internacionais.

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