Game paranaense ganha projeção internacional
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segunda-feira, 20 de novembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
O Outlive em busca da sobrevivência é o primeiro game de estratégia em tempo real brasileiro a entrar no mercado internacional. Com exércitos, robôs e mutantes genéticos falando em português, o jogo foi desenvolvido nos últimos dois anos e oito meses por uma empresa curitibana e está nas lojas desde a semana passada.
A Continuum, empresa responsável pelo game, assinou contrato com uma distribuidora norte-americana para vender o produto no mercado internacional. A expectativa dos criadores é que em um ano sejam comercializadas 25 mil cópias de Outlive no Brasil e 100 mil na Europa, Estados Unidos e Japão.
A iniciativa inédita dos empresários paranaenses rendeu uma citação no caderno especializado de negócios em informática do jornal New York Times na semana passada. Para entrar no mercado internacional os games precisam ter qualidade, bom nível de inovação e recursos disponíveis aos jogadores, explica um dos sócios da Continuum, Rafael Rodrigues Dolzam, 25 anos. Como o Outlive é destinado a jogadores aficcionados, o nível de complexidade na produção foi maior.
Até o fim desse ano o game deve ser traduzido para o inglês. Em 2001 serão lançadas versões em alemão e em francês. O Outlive é um jogo de estratégia em tempo real. No ano passado a Microsoft lançou um game nesse mesmo modelo no Brasil e já vendeu 60 mil cópias. O jogo de computador mais popular no Brasil é o de futebol da FIFA, com 90 mil cópias.
Existe um mercado cativo para esses produtos lá fora, que já movimenta bilhões de dólares, e aqui ele está começando a crescer, explica Alexandre Urubel, 25 anos.
A jogabilidade é um critério técnico usado para graduar a qualidade dos games para computador. Os avaliadores de jogabilidade levam em conta o volume de recursos disponíveis e a facilidade de utilização deles. Não adianta oferecer recursos se é difícil usá-los, explica Alexandre Urubel. Até agora o Outlive conseguiu notas entre 9,0 e 10,0 de jogabilidade em avaliações feitas via internet.
O enredo do game se passa no ano de 2030, quando os recursos minerais da terra seriam escassos. Aliado a isso, os governos dos principais países do mundo estariam enfrentando constantes ataques de grupos terroristas. O objetivo final do jogador é terminar com a crise mundial. Ele precisa montar uma expedição exploratória para encontrar em outros planetas as fontes minerais necessárias. Porém, antes da expedição é necessário combater os exércitos terroristas.
O jogo custou à Continuum R$ 100 mil. Jogos do mesmo nível produzidos nos Estados Unidos ficam entre US$ 1 e US$ 2 milhões. O tempo mínimo para conclusão de um game como esse é de 18 meses. Nosso custo foi menor porque não remuneramos o trabalho dos sócios nesse período, tivemos que nos virar financeiramente de outra forma, explica Rafael.
A Continuum existe desde 1996, quando os cinco sócios se formaram no curso de informática da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Durante dois anos e meio a empresa ficou na incubadora tenológica do Centro Tecnológico do Paraná (Tecpar), onde recebeu subsídios para desenvolver suas atividades. Em 1998 a empresa desenvolveu o jogo Otelo, que vendeu 75 mil cópias no Brasil. Ano passado ela foi contratada por um provedor de internet do Estado para desenvolver outro game, o Duelo.
Dependendo do resultado do Outlive vamos definir em que áreas desenvolveremos nossos próximos projetos, se haverá uma continuidade ao jogo de estratégia ou se vamos buscar um público infantil, explica Rafael.
O interessado pode obter outras informações do Outlive ou fazer a compra direta pela internet pelo site www.continuum.com.br. No Brasil, a distribuição do jogo está sob responsabilidade da empresa Objetivo Multimídia (11) 3766-6575. O preço do jogo deve variar entre R$ 50,00 e R$ 60,00 para o consumidor final.


