GAME - Nier
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Claudio Yuge<BR>Equipe da Folha 
Atualmente é muito caro fazer um jogo de videogame, o modelo de produção assemelha-se ao de um grande filme hollywoodiano. Por isso mesmo, as empresas tentam capitalizar ao máximo cada trabalho, o que inclui agradar muito a audiência mundial. Uma das maiores críticas diante das desenvolvedoras fica com relação ao que é feito visando jogadores orientais e ocidentais, que, obviamente, têm preferências distintas. Uma das tentativas de unir vertentes de ambas as partes do mundo está no role-playing game (RPG) Nier, da Square-Enix, para PlayStation 3 e XBox 360.
Nier começa com um guerreiro mendigo sendo atacado em um beco, por criaturas bem esquisitas, parecidas com um monte de papel picado amarelo voando. Descobre-se durante esse combate que o protagonista que dá o nome ao jogo pode usar um livro, chamado Grimoire Weiss, para invocar forças ocultas, em forma de energia sólida, para detonar seus oponentes. Tudo porque sua filhinha está morrendo por causa de um vírus esquisito chamado de Black Scrawl.
Bem, toda a parte oriental se concentra na básica conduta de honra do típico herói guerreiro, das personagens femininas eternamente em desgosto, dos diálogos terríveis que não condizem com muitas das ações e sequer podem ser compreendidos da forma como os japoneses entendem. Alguns minigames também são típicos dos RPGs da Square-Enix, a exemplo de Final Fantasy: é possível gastar horas fora da missão principal, pescando, caçando e plantando coisas.
O lado ocidental está concentrado no sistema de luta. Ao invés do tradicional turno-a-turno de Final Fantasy, Nier oferece uma espécie de mistura de Zelda com God of War, baseado em combinações de combos com a espada, movimentos furtivos e uso de magias. Inicialmente, essa proposta parece ser interessante, no entanto, mostra-se um pouco repetitivo e sem variações suficientes para o demasiado tempo em jogo.
Pra piorar, os gráficos são horríveis para a atual geração. Há uma curiosa mistura de 2D e 3D durante algumas sequências nas quais Nier precisa entrar e sair de alguns lugares, mas, no geral, tudo poderia ser feito nos consoles anteriores. O som é melhor, não incomoda e muda de acordo com alguns personagens e eventos.
O que de melhor existe em Nier são as batalhas contra os chefes de fase. Alguns chegam a oferecer desafio medíocre e outros são bem difíceis, porém, o que chama a atenção são as diferentes maneiras necessárias para bater cada um. Os confrontos chegam a ser épicos e duram muito tempo, exigem bastante destreza e estratégia.
No geral, Nier pode ser uma boa pra quem gostaria de uma RPG com ação, especialmente pra quem não é fã de luta por turnos e nem da ambientação extremamente oriental. Entretanto, ainda não é o suficiente pra agradar em cheio os públicos daqui e os de lá ao mesmo tempo.
Serviço - Nier está disponível para PlayStation 3, a partir de R$ 160, e para XBox 360, a partir de R$ 170.


