Funcionários loucos pela sua empresa
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Agência Estado 
Agência Estado
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No ringueAlguns funcionários defendem com unhas e dentes seu produto, sua tecnologia e seu desempenho como se fossem um filhoDedicar-se a uma grande empresa de informátifa pode ser como torcer para um time de futebol ou ser fiel a uma religião. Assim como os grandes times e seitas, as grandes empresas da área de computação dividem-se em tribos. Algumas delas são formadas por fanáticos capazes de quebrar produtos da concorrência, outras preferem ficar caladas por questões políticas e há aquelas que funcionam como grandes famílias, e a saída de um membro é considerada traição. Apesar da rivalidade, companhias como Apple, Microsoft, Lotus, IBM têm algo em comum: a devoção e fidelidade de seus funcionários ou adeptos de determinada tecnologia.
Uma das empresas que parece ter o maior número de fanáticos é a Apple. Seus funcionários tendem a defender a empresa e o Macintosh de forma bastante radical. E o curioso é que a concorrência (usuários de PC padrão IBM) não tem coragem de falar mal do Mac. O gerente de desenvolvimento de mercado da Apple, Luciano Kubrusly, garante que a companhia não realiza nenhuma espécie de lavagem cerebral, mas que apenas é carismática e conquista só pelos seus produtos.
Já a IBM, que antigamente exigia até uma certa uniformidade no vestuário de seus funcionários (todos deveriam usar camisa branca, terno e gravata) acabou reformulando a estrutura de sua empresa, mudando o perfil do funcionário ideal. A devoção à empresa, que no passado era considerada prova de fidelidade, hoje não é bem-vinda. Para Lígia Garcia Leite, gerente de RH da IBM, a visão paternalista de antigamente acabou. Hoje a relação entre empresa e funcionário não passa de um contrato de trabalho, garante ela. Um funcionário que fica preso à companhia pode ser infeliz e produzir pouco. Mas nem por isso eles se dedicam pouco à IBM.
Mesmo comprada pela IBM há cerca de dois anos, o estilo de trabalho da Lotus não mudou. Assim como a Microsoft, as duas gostam de trabalhar em equipe e passar a imagem de grandes famílias que repartem tudo com os funcionários e vivem felizes.
Cláudio Neszlinger, diretor de RH da Microsoft, diz que o clima da companhia é bom por causa dos funcionários com a faixa etária média de 30 anos. Além do mais, o poder é descentralizado, cada um é responsável pelo que faz e ainda há sistema de remuneração por resultados de serviços.
Já a Lotus realiza um trabalho especial de entrosamento com os funcionários. Eles saem quase todos os meses para jantar, ir a shows ou viajar.


