ReproduçãoA camada de óxido de manganês (substância preta) indica processo de fosserização Osso fossilizado encontrado às margens da represa Xavantes em Ribeirão Claro (175 Km de Londrina), em dezembro de 97, é de réptil permiano de aproximadamente 240 milhões de anos. A afirmação é do professor do departamento de Paleontologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Sérgio Alex Kugland de Azevedo (foto), após uma avaliação de datação relativa efetuada na rocha em que encontrava-se o fóssil.
Segundo Azevedo, a área é rica para pesquisas. ‘‘A região é de bacia sedimentar, que produzia rochas. Provavelmente estes animais viviam neste ambiente’’, explica. O interesse maior está na idade do fóssil, (240 milhões de anos), época que antecede os dinossauros. Os dinossauros mais comuns viveram entre 110 e 65 milhões de anos. ‘‘Este fóssil tem uma diferença muito grande de idade. Cientificamente isso não o torna nem mais nem menos importante, mas é um material riquíssimo para novas descobertas’’, afirma o paleontólogo.
ReproduçãoO tamanho e o formato do osso comprovam a espécie como réptil ou possível anfíbio
A avaliação de datação relativa, para descobrir a idade do fóssil, foi feita através da comparação das rochas que contém os fósseis com sequências sedimentares que ocorrem em diversas partes do mundo. Algumas destas sequências são tomadas como referência - no caso do período permiano são rochas de bacias européias. ‘‘A idade destas rochas é conhecida internacionalmente através de referências bibliográficas. A constituição química e física do material encontrado é comprovadamente uma substância óssea’’ - diz Azevedo. A camada de óxido de manganês (substância preta) revestindo o osso faz parte do processo de fosserização. O processo é uma troca química entre o material que circunda o fóssil e o material orgânico.
Fósseis da mesma época foram encontrados, há cerca de 20 anos, na Serra do Cadeado pela equipe do Professor Mário Costa Barberena da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o que possibilita todo o Paraná ter sido habitat de espécies permianas. ‘‘Temos que efetuar pesquisas a longo prazo. O Paraná parece-me um Estado de grande potencial científico’’-afirma Azevedo.
Através das pesquisas de Barberena, considerado o maior especialista brasileiro em anfíbios permianos, foram coletados na Serra do Cadeado animais tetrápodes (de quatro pés) que reúnem anfíbios e o réptil Endothiodon. ‘‘O Endothiodon é muito significativo, pois achava-se restrito à dita biozona africana e conhecido, até o presente momento, apenas no Paraná e na África’’, explica Azevedo. A espécie parece ter bom porte, ser herbívora e claramente terrestre, por esta ocorrência exclusiva corrobora a proximidade paleogeográfica da América do Sul e África.
DatasO permiano é o último período da era paleozóica (que se caracteriza, entre outras coisas, pelo aparecimento dos répteis), seguindo-se ao carbonífero e precedendo o triássico, subdivisão basal da era mesozóica. A duração do permiano foi de 50 milhões de anos. Estudos comprovam que, no fim da era paleozóica, América do Sul, África, Antártida, porção peninsular da Índia e Austrália estiveram unidas.
De acordo com a Enciclopédia Brasileira, ‘‘reconstituindo-se os limites primitivos das bacias do Paraná e do Karroo (África), e unindo-se os dois continentes chega-se à conclusão de que elas não poderiam continuar-se uma na outra. A rigor, isso não constituiria empecilho insuperável à migração dos mesossauros, através de pequenos corpos de água existentes entre as duas bacias’’.

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