Em outubro do ano passado, um grupo de pesquisadores do Departamento de Paleontologia da Universidade Federal do Acre (UFAC) encontrou na Cachoeira Bandeira, na divisa do Acre com o Peru, dezenas de fósseis de animais pré-históricos, com idades que variam de 5 a 8 milhões de anos. Dentre os fósseis, estão vértebras de um purusaurus, tartaruga-gigante, jacaré gavial, caramujos, moluscos e uma série de outros, que, inclusive, nem foram descritos pela Ciência.
A expedição foi comandada pelo paleontólogo Jean Bocquentin. Foram coletados mais de 650 quilos de fósseis. O purusaurus, que chega a medir até 18 metros, é o maior carnívoro que habitou a região há milhões de anos. ‘‘Nosso achados confirmam isso’’, diz Bocquentin. Os jacarés gavial, que pertencem à família cavialidae, existem atualmente apenas na Índia, explica o doutor em Paleontologia pela Universidade da Califórnia (EUA), Alceu Ranzi, que participou da expedição. Segundo Ranzi, o Acre é hoje a região da Amazônia mais rica em fósseis pré-históricos. Ranzi critica o fato de as instituições de pesquisas não financiarem expedições à região da Cachoeira Bandeira.
Outra descoberta valiosa foi a carcaça de uma tartaruga-gigante, cujo tamanho normal seria de 1,5 metro. O paleontólogo disse que a maioria das espécies achadas, que estão sendo identificadas, ainda não foi descrita em países ricos em fósseis, como a Bolívia e a Colômbia.
Segundo Bocquentin, não existe outra região na Amazônia tão rica em fósseis como a Cachoeira Bandeira. A equipe do paleontólogo achou na área, em 1996, a cabeça de um peixe-gato (da superfamília Siluriformes), cujo tamanho é superior a 0,5 metro. O fóssil achado é um peixe de água doce, cujo gênero é o prhacocephatus. O peixe seria do mesmo grupo do surubim, uma espécie da Amazônia, e teria mais de 5 milhões de anos. O peixe-gato seria superior a 2 metros. Um exemplar parecido com o do Acre foi achado na Venezuela.
Ainda em 1996, Bocquentin e sua equipe coletaram pedaços de ossos de aves, mandíbulas, dentes de jacarés-gigante e uma série de outros fósseis. O osso da ave foi identificado. Trata-se da Aninhga, uma ave maior que uma galinha. A espécie também era desconhecida da Ciência. Uma tartatura-gigante, que mede quase 2 metros, pesa 400 quilos e é quase do tamanho de um fusca, também foi achada na região.

mockup