Fósseis do Acre têm entre 5 e 8 milhões de anos
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quinta-feira, 15 de janeiro de 1998
Chico Araújo Agência Estado 
Em outubro do ano passado, um grupo de pesquisadores do Departamento de Paleontologia da Universidade Federal do Acre (UFAC) encontrou na Cachoeira Bandeira, na divisa do Acre com o Peru, dezenas de fósseis de animais pré-históricos, com idades que variam de 5 a 8 milhões de anos. Dentre os fósseis, estão vértebras de um purusaurus, tartaruga-gigante, jacaré gavial, caramujos, moluscos e uma série de outros, que, inclusive, nem foram descritos pela Ciência.
A expedição foi comandada pelo paleontólogo Jean Bocquentin. Foram coletados mais de 650 quilos de fósseis. O purusaurus, que chega a medir até 18 metros, é o maior carnívoro que habitou a região há milhões de anos. Nosso achados confirmam isso, diz Bocquentin. Os jacarés gavial, que pertencem à família cavialidae, existem atualmente apenas na Índia, explica o doutor em Paleontologia pela Universidade da Califórnia (EUA), Alceu Ranzi, que participou da expedição. Segundo Ranzi, o Acre é hoje a região da Amazônia mais rica em fósseis pré-históricos. Ranzi critica o fato de as instituições de pesquisas não financiarem expedições à região da Cachoeira Bandeira.
Outra descoberta valiosa foi a carcaça de uma tartaruga-gigante, cujo tamanho normal seria de 1,5 metro. O paleontólogo disse que a maioria das espécies achadas, que estão sendo identificadas, ainda não foi descrita em países ricos em fósseis, como a Bolívia e a Colômbia.
Segundo Bocquentin, não existe outra região na Amazônia tão rica em fósseis como a Cachoeira Bandeira. A equipe do paleontólogo achou na área, em 1996, a cabeça de um peixe-gato (da superfamília Siluriformes), cujo tamanho é superior a 0,5 metro. O fóssil achado é um peixe de água doce, cujo gênero é o prhacocephatus. O peixe seria do mesmo grupo do surubim, uma espécie da Amazônia, e teria mais de 5 milhões de anos. O peixe-gato seria superior a 2 metros. Um exemplar parecido com o do Acre foi achado na Venezuela.
Ainda em 1996, Bocquentin e sua equipe coletaram pedaços de ossos de aves, mandíbulas, dentes de jacarés-gigante e uma série de outros fósseis. O osso da ave foi identificado. Trata-se da Aninhga, uma ave maior que uma galinha. A espécie também era desconhecida da Ciência. Uma tartatura-gigante, que mede quase 2 metros, pesa 400 quilos e é quase do tamanho de um fusca, também foi achada na região.


