Érika Pelegrino

Cesar AugustoIntegrantes do GFE mostram protótipo do foguete experimental VO Grupo de Foguetes Experimentais (GFE) de Londrina está alçando vôo. Um convite da Centre National D’Etudes Spatiales (CNES) irá levar o grupo à França para mostrar seu trabalho no ‘‘Festival des Clubs Espace’’, evento internacional sobre foguetes experimentais, que reunirá, além da França, outros sete países. Segundo o coordenador do GFE, o engenheiro mecânico Fernando Stancato, o grupo será o único a representar a América Latina.
O convite vem sendo comemorado pelos integrantes do GFE como uma conquista do grupo e um sinal de amadurecimento do trabalho desenvolvido na área aeroespacial. Os frutos do trabalho começaram a ser colhidos em agosto do ano passado em um congresso sobre foguetes experimentais no Colorado, Estados Unidos. ‘‘Fomos como ouvintes e lá tivemos a oportunidade de fazer uma breve exposição sobre o nosso trabalho’’, conta Fernando Stancato. ‘‘Ficaram entusiasmados com o nosso grupo’’.
Em dezembro de 1997, o grupo participou da 4ª Mostra Científica de Clubes Juvenis, realizada pelo Centro Cultural do Castelo, em Campinas, na Unicamp. A mostra contou com 22 trabalhos nas mais diversas áreas científicas. O GFE apresentou um trabalho sobre foguete reutilizável e ficou em 3º lugar. ‘‘Foi uma grande conquista para o nosso grupo’’, afirma Fernando Stancato.
DivulgaçãoMembro do GFE no XVI Congresso de Foguetes Experimentais no Colorado (EUA)
Em termos de tecnologia o maior avanço do grupo foi o desenvolvimento do propelente (combustível para foguetes) à base de sacarose e nitrato de sódio, que segundo Fernando Stancato é inédita no mundo. ‘‘Ele é mais barato e acessível do que a mistura de sacarose com nitrato de potássio, comumente utilizada’’ - explica.
De 27 de julho a três de agosto o grupo estará voando para a França. Lá, seus integrantes vão apresentar um foguete experimental e fazer o lançamento. ‘‘Teremos que nos adequar às normas por isso faremos o lançamento com um motor construído por um órgão oficial do governo francês’’- diz o coordenador do grupo.
Na França, os grupos experimentais sempre trabalham com motores fornecidos por órgãos oficiais de pesquisas aeroespaciais. ‘‘Isto é para evitar acidentes com explosões. O que já ocorreu com sérias consequências’’- explica Stancato. Na França, segundo ele, existem mais de 20 grupos experimentais na área aeroespacial. Desde 1963, estes grupos recebem apoio de órgãos oficiais, como forma de incentivar a descoberta de futuros pesquisadores na área.
‘‘Acredito que é uma política que vem obtendo resultado já, que junto com os Estados Unidos e a Rússia, a França é detentora de alta tecnologia aeroespacial’’-afirma Fernando Stancato. O mercado está praticamente nas mãos destes três países. O Brasil, por exemplo, depende da tecnologia francesa e norte-americana para a colocação de satélites no espaço.
Foi para despertar o interesse dos jovens do 2º e 3º graus para a pesquisa científica, mais exatamente, na área de Exatas, que o GFE foi criado, a princípio na USP/SP, em 1988, por Fernando Stancato. Em 1992, o engenheiro mecânico trouxe a idéia para Londrina e criou o grupo com integrantes londrinenses.
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Os jovens com interesse em pesquisa aeroespacial reúnem-se uma vez por semana, para colocar em prática os conhecimentos de física, matemática, química, entre outros. Estes conhecimentos são colocados à prova na construção, teste e lançamentos de foguetes experimentais. As áreas de estudo para cumprir todas as etapas do projeto ao lançamento são as mais diversas: aerodimâmica, modelagem matemática da trajetória, propulsão a jato, resistência dos materiais, medições experimentais, projetos mecânicos, termoquímica e físico-química, eletrônica analógica e digital, programação de computadores, novos materiais, balística interna, termodinâmica de escoamentos compressíveis, fabricação mecânica, técnicas de fotografia e filmagem, telemetria, pirotecnia, transferência de calor e meteorologia.
Um dos grandes méritos do trabalho do GFE, que é uma atividade de iniciação científica para alunos do 2º e 3º grau do Centro Cultural e Universitário Guairá, é justamente despertar vocações. Em seus 10 anos de existência, desde 1988 quando nasceu na USP/SP, tem contribuído para a formação de uma massa crítica de estudantes, introduzindo-os no estudo da área aeroespacial e despertando vocações.
Alguns membros do grupo já ingressaram nas melhores universidades brasileiras e do exterior. Também frequentam escolas de renome como o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Antônio Selvatici, que começou a participar do grupo em 1996 começa a estudar este ano no ITA, onde outro ex-membro do GFE, José Miraglia, é mestre na área de Propulsão, com mestrado na área de motores. No início deste ano, Rafael Luiz Spagnolo, 17 anos entrou em Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Santa Catarina. Rafael ainda participará do lançamento do Experimental VII em abril próximo. Será o primeiro lançamento aberto ao público, com participação da imprensa, no Brasil. O protótipo terá 1,80m, peso de 2,6 kg (com propelente) e será lançado em uma fazenda próxima à UEL.

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