O trabalho conjunto de um físico mineiro e uma física carioca rendeu o primeiro modelo matemático capaz de simular a dinâmica do sistema imunológico, conforme a teoria formulada pelo prêmio Nobel de Medicina, Niels Jerne. A notícia parece fantástica demais para a realidade científica brasileira, mas é o que se lê nas entrelinhas do artigo publicado este mês na mais importante revista internacional de Física, a Physical Review Letters
(http://www.aps.org).
O pesquisador mineiro é Américo Tristão Bernardes, da Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP (http://www.ufop.br) e a carioca é Rita Zorzenon dos Santos, da Universidade Federal Fluminense, UFF (http://www.uff.br). Eles começaram a trabalhar neste modelo em 1994, inspirados em discussões com especialistas em imunologia dos institutos de Ciências Biomédicas das universidades federais Fluminense e de Minas Gerais, UFF e UFMG.
‘‘Obtivemos um resultado genuinamente ‘feijão com caipirinha’ ’’, brinca Bernardes, referindo-se ao caráter nacional da pesquisa, aplaudida nos principais congressos internacionais. Ele explica a relação entre a Física e o funcionamento do sistema imunológico. Segundo Bernardes, o sistema imunológico tem um grande número de elementos - cerca de 1012 linfócitos ou células de defesa - capazes de uma multiconectividade dinâmica - cerca de 1010 tipos diferentes de interação entre si e com os antígenos ou substâncias estranhas ao organismo, combatidas pelos linfócitos.
Reproduzir numa simulação matemática a dinâmica de toda esta rede funcional, onde cada elemento interage com vários outros, certamente é um desafio. ‘‘Partimos de resultados obtidos na UFMG, sobre o envelhecimento do sistema imunológico e do comportamento refratário dos linfócitos e conseguimos chegar a um modelo, dinâmico, que reproduz o ‘aprendizado’ do sistema imunológico de um indivíduo ao longo de sua vida, diante de várias agressões, doenças e tratamentos’’, resume o pesquisador mineiro.
Em outras palavras, utilizando o modelo, é possível prever comportamentos que o sistema imunológico deverá ter, conforme a história individual de cada paciente. O modelo não terá aplicação prática em diagnósticos e exames médicos diretos, mas ‘‘temos a esperança de que venha a ser um complemento para os pesquisadores de determinadas doenças ou produtos farmacêuticos, até agora restritos a experimentos parciais, in vitro, das reações das células’’.
Américo Bernardes e Rita Zorzenon dos Santos contaram com financiamentos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq (http://www.cnpq.br), das Fundações de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais e Rio de Janeiro, FAPEMIG (http://www.fapemig.br) e FAPERJ (http://www.faperj.br) e da Fundação Capes (http://www.capes.gov.br).

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