Físico da Unesp revê a teoria de Einstein
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quarta-feira, 02 de abril de 1997
Liana John Agência Estado 
Logo depois que Albert Einstein formulou a Teoria da Relatividade, em 1905, os mais renomados teóricos passaram a rever os conceitos de todas as áreas do conhecimento relacionadas à Física. A simetria tempo/espaço proposta segundo as leis de Newton já não se aplicava e era preciso adaptar os conceitos à simetria proposta na Teoria da Relatividade (o tempo se dilata e o espaço se contrai). O próprio Einstein reviu alguns desses conceitos, entre os quais o de transformação da temperatura, segundo as leis da termodinâmica.
Em 1907, Einstein chegou à conclusão de que um corpo movendo-se em velocidade constante em relação a um banho térmico teria temperatura menor do que este. Diversos físicos chegaram à mesma conclusão que Einstein, entre eles, Max Planck e Wolfgang Pauli. Mas, em 1963, o alemão H. Ott afirmou o contrário: para ele, a temperatura aumentaria e não diminuiria. Logo em seguida, o inglês Peter Landsberg, professor emérito da Universidade de Southampton, contestou a todos, dizendo que a temperatura não aumentaria nem diminuiria: permaneceria igual.
Estava instaurada uma controvérsia, que durou até o final de 1995, quando um físico da Universidade Estadual de São Paulo, Unesp, propôs uma abordagem totalmente diferente da questão, a partir de métodos simples de teoria quântica. Especialista em buracos negros, George Matsas percebeu que alguns métodos utilizados para estudar estes corpos celestes serviriam para rever a teoria sobre a transformação da temperatura. Orientou uma tese de mestrado de Sandro S. Costa sobre o assunto. A tese foi publicada na revista Physics Letters no final de 1995. Matsas e Costa foram, então, contatados por Peter Landsberg, hoje septuagenário, para discutir a nova tese. Em meados de 1996, Landsberg veio ao Brasil e o saldo de sua visita foi um novo artigo na Physics Letters de dezembro de 1996, em que se confirmou a interpretação dada pelos brasileiros à transformação da temperatura.
Em poucas palavras, eles concluíram que só faz sentido falar de temperatura se o corpo está parado. Ou seja, não há relatividade e a controvérsia de tantos anos estava baseada numa falsa questão. Isso explica porque se obtiveram respostas opostas à mesma pergunta. Na verdade, a pergunta que eles estavam respondendo era outra: como diferentes termômetros se comportam quando em movimento, explica George Matsas.
O fim da controvérsia não terá nenhum reflexo imediato na termodinâmica, mas aponta para necessidade de formulação de uma termodinâmica intrinsecamente relativista. É difícil saber, agora, o que esta nova termodinâmica poderia significar na prática, assim como Einstein não supunha tudo o que se descobriu com sua Teoria da Relatividade, acrescenta o pesquisador. A termodinâmica hoje está por trás de muitos aspectos da vida humana, desde o funcionamento de uma prosaica geladeira, até os estudos da evolução do universo.
Quem quiser saber mais sobre o fim da controvérsia ou unir esforços na elaboração de uma nova termodinâmica relativista pode entrar em contato com George Matsas pelo telefone (011) 251-5155.


