A Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem estoque de lâminas de um novo teste para detecção do HTLV 1, vírus que pode causar leucemia e uma doença neurológica, a paraparesia espástica tropical, responsável por problemas de locomoção. O teste é bem mais barato que os convencionais - seu custo é de apenas R$ 5,00 - e começará a ser aplicado até o fim do ano. O prazo é justificado pela falta de pessoal para lidar com o kit de diagnóstico.
O pesquisador da Fiocruz, Antônio Ferreira, explicou que o teste utiliza o método de imunofluorescência e permite também uma diferenciação entre os vírus HTLV 1 e HTLV 2 - este, até o momento, não é associado a nenhuma doença. Sua identificação, no entanto, é importante para que se evitem resultados falsos de HTLV 1. ‘‘Pesquisadores da Califórnia nos enviaram a cultura celular do HTLV e iniciamos a produção das lâminas no fim do ano passado’’, disse Ferreira.
Segundo o médico Mauro Schechter, uma das maiores autoridades do País em HTLV, a infecção pelo vírus é maior em Salvador, onde em cada 200 doadores de sangue, três são portadores do HTLV 1. ‘‘O número vem crescendo no Nordeste e em grandes cidades do Brasil’’, afirmou Schechter, professor titular do Departamento de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele estuda o impacto da coinfecção entre o HIV, o vírus da Aids, e o HTLV. Ambos atacam os linfócitos CD-4, células do sistema de defesa do organismo. A transmissão do HTLV é idêntica a do HIV: via sêmen e sangue contaminado.
BerçoUma das principais razões para a prevalência do vírus em Salvador está relacionada à concentração, na cidade, de negros oriundos da região que seria o berço do HTLV: a África Ocidental. No Rio e em São Paulo, o número de infectados representa em torno de 0,4% para cada grupo de doadores de sangue.
Schechter revelou que entre a colônia japonesa que vive em São Paulo também há um número maior de infectados pelo HTLV. ‘‘Seria outra rota do vírus, que partiria da ilha de Kyushu, no Japão, onde 28% da população têm o HTLV 1’’.
Schechter contou que, no Rio, 6% dos soropositivos de HIV têm a presença do HTLV. ‘‘Em São Paulo, são 15% aproximadamente’’. Segundo o médico, em todo o País apenas 5% dos contaminados pelo HTLV 1 sofrem de algum tipo de doença oportunista. ‘‘Em geral, da doença neurológica’’. A leucemia provocada pela ação do HTLV é mais comum no Oriente.

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