Elas são cerca de 500 em operação. Têm poucos anos de atividade no Brasil - segundo a ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs), mas já chamam a atenção dos cibercriminosos. São as fintechs – startups que trazem inovação tecnológica ao setor financeiro. O Nubank é um dos casos mais notórios no País: a empresa fundada em 2013 é uma operadora de cartão de crédito e débito com atendimento 100% digital. A startup já tem 8 milhões de pedidos de cartão. Esse é motivo da atração dos criminosos virtuais por essas empresas: é crescente o número de clientes que confiam às fintechs seus valiosos dados financeiros, e mesmo seu dinheiro.
Relatório com previsões de cibersegurança para 2018 para a América Latina divulgado pela empresa de segurança cibernética Kaspersky Lab revelou essa tendência. Segundo a companhia, os bancos da região latino-americana terão de enfrentar ataques múltiplos de um ou vários cibercriminosos diferentes para subtrair grandes quantias de dinheiro dos bancos.
O alerta também foi feito para ataques em caixas eletrônico, servidores internos e outras estações de dentro das redes de instituições bancárias. O relatório afirmou ainda que "fintechs também poderão ser alvos desses ataques, que podem se valer de 'insiders' (funcionários com conhecimento da infraestrutura interna), que colaboram com os atacantes".
"Por serem empresas novas que estão chegando, o que me parece é que elas não têm maturidade em segurança como outras empresas", avalia Thiago Marques, analista de segurança da Kaspersky Lab no Brasil. "O que vemos é que já existe interesse dos criminosos. Nos nossos monitoramentos de phishing (e-mails ou links que se fazem passar por bancos e outras instituições para obter dados confidenciais dos usuários), sempre tem fintech envolvida", acrescenta.
Dentro de um cenário que já se mostrou altamente lucrativo para os cibercriminosos, os bancos precisam constantemente se atualizar e se adaptar às novas realidades de cibersegurança, ressalta Marques. "Utilizar soluções não simplesmente para detectar, e sim para prever riscos de segurança."

Imagem ilustrativa da imagem Fintechs são alvos de cibercriminosos



INFORMAÇÃO
A fintech de crédito Biva costuma alertar seus clientes sobre golpes realizados por criminosos que se fazem passar por fintechs do ramo, buscando tirar dinheiro de interessados. "Hoje, o que acontece muito são simulações feitas por quadrilhas especializadas. O Ministério Público apontou isso, casos de quadrilhas solicitando o depósito em uma conta específica. Isso é muito comum. Já aconteceu com algumas fintechs, especialmente com as de crédito", relatou Jorge Vargas Neto, CEO da Biva.

INSIDERS
O diretor de Tecnologia do banco Neon, Julio Dario, afirma que o acesso dos colaboradores ao ambiente virtual da empresa é restrito para prevenir o risco de funcionários colaborarem com criminosos virtuais. "Cada um só tem os acessos necessários para execução de suas funções", afirma Dario. "Quando temos o cenário de alguma ajuda interna para os ataques, sempre as contra medidas são mais complicadas, pois geralmente o colaborador tem informações privilegiadas da arquitetura da solução."

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