Figurinhas que deixam a desejar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de janeiro de 1998
Agência Globo 
Arquivo FolhaÍcones: relacionamento lúdico com o computadorQuem estava na inauguração da atual estação rodoviária do Tietê, na cidade de São Paulo, viu: os passageiros ficaram inteiramente desnorteados com algumas placas revolucionárias de sinalização. À certa altura, os funcionários da estação - cansados de traduzir a programação visual para o público - resolveram cobrir as placas com papel, onde escreveram, em bom português, o que cada uma deveria indicar.
Conclusão: o sistema era lindo, mas inútil.
Esse confronto entre imagens e palavras está registrado no ensaio Semiologia e Imagem, do professor Milton Pinto, da Escola de Comunicação da UFRJ, e ilustra uma questão que incomoda muita gente: será que os ícones dispostos na tela de nossos micros cumprem seu papel?
A função dessas imagens é ajudar a criar um clima lúdico na relação com o computador , lembra Milton Pinto. De resto, são um alfabeto como outro qualquer, que a gente tem que aprender para poder usar. Não há nada de intuitivo nelas.
No Canadá, o professor Brad Johnson fez uma conta interessantíssima: um usuário de Windows 95 - ou Macintosh - dá cerca de 1.535 cliques em seu mouse a cada oito horas de trabalho, 1.338 dos quais diretamente sobre ícones da interface gráfica. Numa semana, esse mesmo usuário dará 10.704 cliques sobre alguma figurinha. Não é pouca coisa...


