As prefeituras e órgãos federais e estaduais precisam investir mais em aplicativos para dispositivos móveis voltados ao cidadão. Essa é a conclusão da pesquisa TIC Governo Eletrônico, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) com dados de 2015. Segundo o estudo, apenas 21% dos órgãos públicos federais e estaduais oferecem apps aos cidadãos por meio de smartphones e tablets. Nas prefeituras, esse índice é ainda menor: 4%. O levantamento foi realizado por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
Dos órgãos públicos federais e estaduais que oferecem algum tipo de recurso ao cidadão via dispositivo móvel, a maioria por enquanto investe em websites adaptados para esses aparelhos (42%). Nas prefeituras, o foco também está nos websites adaptados (24%), nas transações e pagamentos via dispositivos móveis (8%) e no envio ou recebimento de SMS do cidadão (7%).
Para o CGI.br, a disponibilização desse tipo de recurso é importante devido ao grande número de brasileiros que já utilizam os dispositivos móveis para acessar a internet. "Temos 47% da população acessando a internet via dispositivos móveis, o que abre a oportunidade para que governos e prefeituras também passem a oferecer serviços por esses dispositivos", comentou Fabio Senne, coordenador de projetos e pesquisas do Cetic.br. "É bastante baixo o índice de governos e prefeituras que oferecem aplicativos baseados no provimento de informações e serviços, mas é uma tendência que começa a crescer."
Segundo Senne, outra oportunidade está no desenvolvimento de aplicativos por empresas ou cidadãos a partir de dados disponibilizados pelo órgão público. "Não necessariamente o órgão ou prefeitura precisa oferecer o serviço", enfatiza o coordenador. Empresas, organizações e sociedade civil podem utilizar dados abertos disponibilizados por governos e prefeituras para oferecer à população ferramentas para os dispositivos móveis. "Os governos dispõem de muitos dados administrativos difíceis de serem interpretados pelos cidadãos mas que podem ser apresentados de forma diferente em aplicativos."

Paraná
Coordenadora de mídias digitais do Governo do Paraná, Cristina Alessi afirma que o governo do Estado já possui diversos apps voltados ao cidadão, entre eles o Nota Paraná, por onde é possível consultar notas, créditos e sorteios do programa, por exemplo. "Sabemos que o acesso via celular já ultrapassou o via computador e estamos muito focados em levar isso ao cidadão." Neste ano, o governo trabalha em um projeto para unificar todos os serviços disponibilizados via dispositivo móvel em uma única ferramenta, diz Cristina. Ainda não há data para o lançamento. "Queremos que seja uma porta de entrada para que o cidadão tenha acesso a serviços agrupados."
A Sercomtel Iluminação lançou também neste ano o app para dispositivos da Apple por meio do qual os londrinenses podem registrar e acompanhar o andamento de solicitações por reparos e manutenções feitas pelo WhatsApp ou pelo call center da Sercomtel Iluminação. Para Android, o app já estava em funcionamento desde o ano passado.

Mão de obra
Edvaldo de Alcântara Oliveira, diretor do Departamento de Tecnologia da Informação (DTI) da Prefeitura Municipal de Londrina, afirma que a equipe da DTI vem investindo continuamente na oferta de serviços via web pelo portal da prefeitura, como o Nota Londrina e a emissão de documentos como a certidão negativa municipal unificada e a certidão narrativa de endereço. "Alguns anos atrás víamos o saguão lotado de gente. Hoje, vemos poucas pessoas porque os serviços estão sendo disponibilizados pela internet."
A principal dificuldade no desenvolvimento de aplicativos, segundo Oliveira, está na falta de disponibilidade de mão de obra. "Temos muitas outras prioridades, temos disponibilizado vários serviços na internet que dispendem tempo. Para a internet, temos mão de obra, pessoas com conhecimento."

Imagem ilustrativa da imagem Ferramentas úteis nas mãos do cidadão
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