Ferramentas propõem novas formas de conseguir transporte na cidade
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Oficialmente lançado no Brasil em junho deste ano, no Rio de Janeiro, o aplicativo de caronas "pagas" Uber tem levantado polêmica nas cidades onde atua. Em São Paulo, a prefeitura quer a suspensão do aplicativo e apreendeu três carros que utilizavam a ferramenta para prestar o serviço. Taxistas também não estão contentes com a ideia. O Uber é um aplicativo por meio do qual o usuário pode buscar, em sua cidade, motoristas que oferecem "carona" em troca de valores considerados mais baixos que os cobrados pelos taxistas e calculados pelo próprio app. De acordo com o Uber, qualquer pessoa que tenha licença de motorista com fins comerciais e seu próprio veículo pode se cadastrar no aplicativo e começar a prestar serviços pela ferramenta.
A prefeitura de São Paulo alega que apenas taxistas podem oferecer "caronas pagas". O aplicativo ainda não chegou a Londrina. Por isso, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda é prematuro fazer uma avaliação do aplicativo, mas a partir do momento que a "carona" implica em cobrança, passa a ser considerado transporte comercial, e por isso precisa ser regulamentado. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, podem ser considerados transportes comerciais autorizados a trafegar em Londrina, por exemplo, táxis, vans, vans de turismo e moto táxis.
Em resposta enviada à FOLHA por e-mail, Lane Hesselman, responsável pela área de Comunicação do Uber, afirmou que "apoia integralmente os parceiros que continuam a prover o serviço que os paulistanos têm tanto solicitado e recebido de braços abertos", e que a equipe "tem trabalhado para desenvolver um consenso com leis que promovam o crescimento da economia de inovação", referindo-se à proibição do uso do app em São Paulo. De acordo com Hesselman, o Uber "quer transformar a maneira como os brasileiros pensam sobre seus meios de transporte".
Com relação às preocupações com a segurança do passageiro, Hesselman afirma que além de licença de motorista com fins comerciais, o motorista precisa carregar consigo uma apólice de seguro com cobertura para passageiros e passa por um rigoroso processo de verificação de antecedentes. Antes de pegar a carona, o usuário pode ver por meio do aplicativo o nome do motorista, sua foto, o modelo do carro e a placa.
Para o eletricista Dener Silvestrine, de 22 anos, quanto mais opções de transporte na cidade, melhor. "Para o consumidor uma palavra simplifica tudo: concorrência, possibilidade de diferença de valores nas corridas." Silvestrine é mochileiro nas horas vagas e usuário de um site que ajuda viajantes a conseguir carona solidária. Sobre o Uber, ele diz também entender o lado da empresa e dos taxistas. "O taxista tem toda a burocracia de adequar-se junto à empresa que gerencia o transporte na cidade, impostos, regulamentação. Além de perder clientes na praça. O Uber está gerando mais trabalho no ramo e não fica no monopólio das empresas de transporte oferecendo mais comodidade."


