A tecnologia vem adquirindo um espaço cada vez mais importante no dia a dia das pessoas. O final de 2015 representou o encerramento de um ciclo, e é inevitável olhar para trás para saber quais foram as principais novidades tecnológicas que mais atraíram os consumidores, o que as pessoas fizeram usando a tecnologia como ferramenta, mas também por quais riscos elas passaram ao fazer uso dos recursos informáticos. Com base nisso, é possível vislumbrar o que será de 2016 – teremos mais novidades? Qual uso as pessoas farão da tecnologia? Que cuidados se deve tomar ao usar as ferramentas favoritas no computador, tablet ou smartphone?

Em 2015, as pessoas trocaram seus computadores antigos por outros novos e mais modernos. Esta é a avaliação do diretor de Marketing da Intel para a América Latina, Américo Tomé. Na área de desktops, os equipamentos all-in-one, que já apresentavam crescimento ano a ano, substituíram as famosas "torres" nas casas das pessoas. "Os all-in-ones trazem novidades porque não precisam mais das torres, usam menos fios, é todo integrado, mais elegante e fininho", diz Tomé.

Os notebooks 2 em 1, ou conversíveis – cujo uso alterna entre o de um notebook e o de um tablet -, por sua vez, ganharam espaço no mercado em detrimento dos tablets. "A grande inovação são os convertibles (conversíveis). Embora ainda represente 5% do volume de computadores, percebemos que a indústria está investindo bastante nesse segmento, lançando novos modelos", comenta Fabio Assunção, executivo de atendimento sênior da Gfk – empresa especializada em informações sobre o mercado.

Smartphones
Na mesma onda dos computadores, os smartphones devem ser trocados por modelos mais novos em 2016, afirma Américo Tomé, da Intel. Segundo o gerente de atendimento da Gfk para o setor de Telecom, Igor Teixeira, a oferta cresceu para os aparelhos "mais caros", com telas maiores, 4G e câmeras melhores. "Neste ano, o 4G passou a ser relevante no Brasil e o consumidor também procurou por telas maiores e câmeras com maior resolução, tanto frontal quanto traseira. O 4G se tornou algo importante na decisão de compra do consumidor."

Vale lembrar que os smartphones de tela grande – os phablets – estão "canibalizando" o mercado de tablets. "Os tablets cada vez mais vão atender a nichos de mercado como jogos para crianças", comenta Américo Tomé. Também deverá continuar a substituição do chamado "feature phone", celular com funções mais básicas, pelos smartphones. "Hoje temos aparelhos a partir de R$ 399 - com planos de dados cada vez mais acessíveis, o que torna mais interessante a compra", finaliza o gerente da Intel.

Webcidadania
A atenção a assuntos relacionados à política, à economia e às cidades deu o tom das redes sociais em 2015, afirma o publicitário especialista em inovação André Telles, autor de livros sobre mídia sociais. No ano que se passou, a chamada "webcidadania" moveu os internautas, que deram suas opiniões sobre diversos aspectos da vida cidadã nas redes sociais.

O difícil foi aceitar a opinião do outro no ambiente virtual. "Na minha opinião, está se criando uma polaridade muito grande nas redes sociais e os usuários acabam entrando em conflitos desnecessários, até mesmo criando inimizades. As redes sociais são anteriores a qualquer meio digital. A questão de grupo é algo que deveria acontecer de forma flexível."

Snapchat e Periscope
Redes sociais alternativas como Snapchat e Periscope amenizaram a hegemonia do Facebook em 2015, acrescenta o publicitário. "O predomínio do Facebook caiu bastante." O Snapchat, especializado em mensagens instantâneas que desaparecem com o tempo, conquistaram os mais jovens, enquanto o Periscope, voltado a transmissões de vídeos ao vivo, foram muito utilizados por formadores de opinião.
Em 2015, também houve o "retorno do Twitter", afirma Telles, impulsionado pela Copa do Mundo em 2014. Para 2016, ele prevê o crescimento de redes sociais segmentadas voltadas a públicos distintos, como médicos, dentistas, esportes, etc.

Segurança digital
Na área de segurança digital, tiveram destaque em 2015 a alta incidência de trojans bancários, que roubam dados das contas bancárias de quem usa internet banking, e o ransonware, que "sequestra" dados de pessoas em empresas em troca de dinheiro. "O Brasil foi o 6° país mais atacado por trojans bancários em todo o mundo em 2015 e o 4° colocado entre os mais atacados por ransomware", diz Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab no Brasil.

Também surgiram novos ataques com técnicas que as empresas especializadas em segurança digital nunca tinham visto antes, como a campanha de ciberespionagem patrocinada por governos Equation e a campanha de ataque contra bancos Carbanak. Para 2016, a previsão é que haverá aumento de ataques com uso do ransonware e da ciberespionagem e contra plataformas de pagamento.

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