Falta incentivo para expandir serviço
O aparelho de videoconferência da Viável Brasil, o VPad, pode ser disponibilizado em escolas, hospitais e empresas em que houver um surdo trabalhando, observa Alexsandro José Carvalho, proprietário da empresa. Para utilizar o serviço de videoconferência, o deficiente auditivo precisa comprar o tablet, que custa R$ 999, pagar a mensalidade do serviço de intérprete e contratar um pacote de internet. Mesmo que o aparelho possa ser pago com cartão de crédito em até 12 vezes, Carvalho estuda um financiamento com o Banco do Brasil para ajudar os surdos que não têm condições, nem limite de crédito, a adquirirem o equipamento.
A Viável comercializa o serviço para todo o Brasil. Na avaliação de Carvalho, a empresa cresce, mas aos poucos. Como iniciou as atividades no final do ano passado, ainda tem poucos clientes. ''Sem o apoio do governo fica difícil, porque os surdos não têm como comprar o aparelho.''
Em um futuro próximo, os planos incluem estender o serviço, que funciona das 8h às 22h, para 24 horas e para isso, será necessário contratar mais intérpretes. Em Londrina, o Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles) tem curso que ensina a linguagem de libras a ouvintes. Segundo Carvalho, os planos de extensão do horário para 24 horas vai depender de subsídio do governo, de parceria com operadora, que estão sendo negociados pela empresa, e do interesse do surdo em comprar o serviço.
Mas a ambição do empresário é expandir a Viável com filiais em todo o Brasil, contribuindo inclusive para a geração de empregos para deficientes auditivos. ''Empresas de telefonia só empregam ouvintes. Queremos gerar emprego para surdos também.''
Carvalho trabalhou durante oito anos na Viable, em Washington (EUA). No total, ele morou 20 anos fora do país, também na Itália e na Alemanha. Lá fora, ele percebeu o quanto a educação de surdos no Brasil estava atrasada, o que o motivou a trazer a tecnologia da videoconferência ao país. ''Quero ver os surdos se igualarem aos ouvintes, porque eles são capazes.''
(M.F.C.)





