Falta de familiaridade com web é barreira
De acordo com a pesquisa TIC Governo Eletrônico, do CETIC.br, o fato de não saber usar o computador muito bem é o que impede 13% dos usuários de e-Gov de utilizarem o serviço efetivamente e 47% dos não-usuários de acessarem o governo eletrônico.
Vicentina de Souza Teixeira, estudante de informática do Sesc Londrina, entra nestas estatísticas. Ela começou o curso recentemente justamente por querer aprender a usar o computador para usufruir de serviços do governo, como a declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), hoje feito pela filha. ''Agora tudo é através da internet. Mas os filhos têm compromissos.''
Para a socióloga Florência Ferrer, diretora da E-Stratégia Pública, realizar a inclusão digital para que mais pessoas utilizem o e-Gov não precisa passar, necessariamente, por toda a população brasileira. Segundo ela, pode-se focar apenas nas crianças, que elas ficam com o papel de difundir o conhecimento. ''Crianças não precisam de nenhuma capacitação para entrar no mundo digital, apenas de incentivo.''
Segurança
A pesquisa TIC Governo Eletrônico também mostrou que a proteção e segurança dos dados pessoais são as maiores preocupações dos usuários de e-Gov e que fazem com que muitos não utilizem este canal efetivamente. As recentes invasões de hackers a sites de governo e de bancos reforçam este temor, mas a socióloga destaca que não se pode usar esta questão como motivo para que os serviços oferecidos pela internet não se desenvolvam.
Ela baseia sua argumentação no fato de que não só o meio digital, mas também o meio físico precisa de segurança. A internet é apenas um atributo a mais para o armazenamento de dados. ''É um pouco de mito pensar que a segurança é um problema eletrônico. No meio físico também existe desvio de documentos. A segurança no meio eletrônico tem que ser tratada, mas não que isso mude radicalmente a questão da segurança.'' (M.F.C.)





