Yves Leers
France Presse
A ‘‘Crise dos Oceanos’’ coloca em perigo a sobrevivência da humanidade, conforme alerta a Comissão Mundial Independente sobre Oceanos (IWCO), que aconselha uma mudança radical na exploração dos mares e oceanos.
Intitulado ‘‘O oceano, nosso futuro’’, o informe, elaborado por 40 especialistas de 35 países dirigidos pelo ex-presidente português Mario Soares, será apresentado em outubro, em Nova York, durante a Assembléia Geral das Nações Unidas.
‘‘O oceano, nosso futuro’’ se apresenta como um ‘‘apelo prático e realista à consciência dos cidadãos do mundo em favor de uma melhor administração dos oceanos e das regiões costeiras’’, segundo Mario Soares.
Soares, que apresentou este informe em Lisboa, por ocasião da Expo-98, espera que o grito de alerta seja levado a sério pelos governos e as organizações internacionais. Mas, antes de tudo, conta com a tomada de consciência e com a mobilização da opinião pública mundial, que ‘‘deve pressionar os governos para que estes atuem’’.
Considerados inesgotáveis durante muito tempo devido a sua imensidão (71% da superfície do globo), os oceanos sofrem hoje pressões (leia texto nesta página) que preocupam muito os especialistas, depois de três anos de trabalhos dedicados a estudar os problemas do mar.
A Comissão faz uma série de propostas para que o elemento ecológico prevaleça sobre o econômico no tratamento dos oceanos, o que inclui a supressão das subvenções que levam à exploração excessiva, a aplicação de políticas para as regiões costeiras e a criação de um foro mundial independente.
A organização ecológica Greenpeace pediu, em Lisboa, uma aplicação rápida e efetiva das recomendações da Comissão.
O informe deve ser considerado um sinal de alerta, que permita ‘‘recordar à comunidade internacional que a sobrevivência da humanidade depende em grande parte da proteção dos oceanos’’, afirma o Greenpeace.

mockup