Expectativa é de queda nos valores
"Em recente apresentação na Feira do Livro de Frankfurt ouvi algo que já havia lido em alguma outra parte: o livro digital vendido no Brasil está entre os mais caros do mundo", comentou Susanna Florissi, diretora livreira da Câmara Brasileira do Livro. "Existe no mercado uma prática mais ou menos comum que é a de considerar que os livros digitais devem custar entre 25% e 30% a menos que os impressos. Mas gosto sempre de reforçar que tudo depende de como definimos livros digitais: PDFs, ePUBs, livros interativos, enhanced books", continua.
Os livros interativos, principalmente na área didática, são vendidos a preços mais "módicos" que o impresso, mas são mais caros que o formato PDF ou ePUB. Isso se justifica pelo custo da produção, já que este tipo de obra conta com recursos como áudio, movimento e exercícios que podem ser corrigidos na nuvem. "Acredito que, a médio prazo, os clientes entenderão a equação custo x benefício para livros desse tipo." Para Susanna, que participa que eventos sobre o assunto no exterior, os atuais preços de e-books ainda deverão mudar muito no futuro, em paralelo com o comportamento do mercado.
"Seguindo um pouco a lógica do livro impresso, quanto maior a tiragem, menor o custo do livro. Quanto mais livros digitais vendermos, mais otimização haverá nos custos envolvidos com seu desenvolvimento e, acima de tudo, com o Marketing envolvido em explicar ao cliente exatamente o que estamos vendendo."
O lançamento de smartphones e outros dispositivos móveis com aplicativos de leitura de e-books também poderão impulsionar o mercado de livros digitais, acrescenta Fábio Sá Earp, da UFRJ. Hoje, os aparelhos leitores Kindle e Kobo, por exemplo ainda têm preços altos e são poucas as opções de modelos e marcas. "Coloco fé no mercado de e-books, porque ele tem uma série de vantagens. Não ocupa espaço na estante e é possível carregar uma biblioteca inteira no celular", finaliza. (M.F.C.)





