Enduro, River Raid, Pitfall, Pac Man, Space Invaders...
Quem foi criança ou adolescente na década de 80 vai lembrar com saudade dos clássicos títulos do videogame Atari, lançado em 1975 pelo norte-americano Nolan Bushnell, que popularizou em todo o mundo uma nova modalidade de diversão: os jogos eletrônicos. Mas na história dos games, o arcade Pong, inventado pelo próprio Bushnell em 1973, antecede o clássico dos anos 80. Executado em tela preta e muito simples de manipular, o jogo consistia em rebater uma bola, entre dois jogadores ou contra a máquina, até alguém falhar.
O Pong fez sucesso em sua época, mas foi o Atari que disseminou pelo mundo a gamemania, decretando o fim das tardes entediantes em frente à televisão. Empunhando joysticks (controle manual dos jogos), a molecada se reunia para jogar, trocar cartuchos e organizar campeonatos, além de procurar novidades e tentar superar pontuações antigas. O estudante universitário Henrique Vieira, 23 anos, lembra bem quando ganhou seu Atari, em 1985. ‘‘Todo mundo tinha, era uma febre. Eu e meus amigos jogávamos o dia inteiro, nos reuníamos para organizar campeonatos, parecia uma doença. Os cartuchos eram vendidos nas lojas de departamento e a gente vivia fuçando para encontrar novidades.’’
No final dos anos 80, as empresas japonesas Nintendo e Sega deixaram a Atari para trás, introduzindo personagens populares como o bigodudo Mário e o super veloz porco-espinho Sonic. No Brasil, foi lançado o Phanton System, que aceitava os cartuchos do Nintendo, se transformando na segunda febre de games entre a garotada. O Super Mário 3, lançado pela empresa em todo o mundo, foi o jogo mais vendido de toda a história dos games eletrônicos.
Henrique, que ganhou um Nintendo em 1990, conta que na época do lançamento das novas máquinas, o garoto que conseguia o equipamento primeiro chamava os outros para jogarem em sua casa. ‘‘Aí a gente infernizava os pais até ganhar os nossos próprios videogames’’, recorda.
Ele também utilizou a estratégia da insistência para conseguir um Mega Drive e um Super Nintendo, que junto com o Master System, surgiram como novas opções de jogos a partir da década de 90, para desespero dos pais daquelas crianças mais ligadas em modismos tecnológicos.
O primeiro videogame de Thyago Figueiredo Machado, 15 anos, foi um Mega Drive, mas ele já se exercitava com os joysticks desde os sete anos, no Dynavision do irmão mais velho. Do Atari, ele nem se lembra direito. ‘‘Meu pai tinha uma imitação, feita pela CCE, mas eu era muito pequeno na época e não lembro’’, comenta.
Hoje, ele tem um Playstation, grande sucesso da Sony que revolucionou novamente o mercado. Com o salário que ganha trabalhando na locadora de vídeo e games de sua família, ele planeja comprar um Playstation 2, lançado no início do ano e disponível no Brasil apenas para importação. Fanático, Thyago joga videogame duas horas por dia, dobrando a jornada nos finais-de-semana.
Seus títulos preferidos são os de ação, como Resident Evil, Silent Hill e Fear Effect. Para se informar sobre novidades, recorre às revistas sobre o assunto, que troca com os amigos. ‘‘Também utilizo a internet, principalmente para descobrir dicas, mas não gosto de jogar no computador, a não ser os jogos Diablo, Driver e o jogo de futebol Fifa.’’
Henrique, que não tem mais videogame, continua adepto dos jogos, investindo nos consoles para computador, nova coqueluche dos gamemaníacos na era da internet. Em seu micro equipado com placa em três dimensões e sistema de som avançado, ele manipula mais de mil opções em jogos, gravados em CD ou HD (disco rígido) da própria máquina. Apreciador dos jogos de corrida, acha que a evolução dos games é mais visível em termos de gráficos e outros detalhes visuais. ‘‘É claro que o grau de dificuldade aumentou, mas os maiores avanços estão na visualização, pois os jogos estão muito reais, parece até cinema.’’
O estudante também acha que a internet ocasionou um salto de qualidade no setor, estimulando o desenvolvimento de computadores mais potentes, além da possibilidade de jogar on line, com parceiros de outros lugares conectados na rede. ‘‘Sempre jogo o Fifa com um amigo meu, cada um na sua casa.’’

mockup