Evolução dos bits causa boa impressão
Agência O Globo
Do Rio
A carta de Pero Vaz de Caminha para o rei de Portugal comunicando o descobrimento do Brasil é um dos destaques da 16ª Bienal Internacional do Livro, que começa sexta-feira em São Paulo. No mês das comemorações do descobrimento do País, a distribuição desta carta numa exposição para o mercado editorial não mereceria tanto destaque, afinal até o fim do ano a turma de Pedro Álvares Cabral será figurinha fácil em qualquer evento.
Mas a carta virou um livro comentado por ensaístas que será impresso on demand num equipamento digital todos os dias, até 7 de maio, quando termina a bienal. Impresso na Docutech 135, da Xerox, o livro com trechos da carta de Caminha é mais um capítulo da história do mercado de impressão digital no País.
Dados do mercado de impressão nacional indicam que o crescimento do segmento digital chegou a 15% entre 1998 e 1999. No mesmo período, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 0,68%. Mas que diferença isso faz no cotidiano de simples usuários de serviços gráficos? A impressão digital está diretamente ligada à queima de etapas e ao ganho de qualidade. Há quatro anos, um escritor que quisesse imprimir sua obra teria que arcar com os custos do caro processo off-set, que exige grandes tiragens e requer tempo. Hoje, sofisticados equipamentos digitais de fabricantes como IBM, Indigo, Heidelberg, Xeikon e Xerox permitem que sejam impressos 200 exemplares de uma publicação em horas.
Carlos Guilherme Moreira, gerente nacional de artes gráficas da Xerox, diz que o conceito de print on demand reduz estoques e, consequentemente, custos. Além de tornar acessível a impressão de produtos complexos, como um livro, a qualquer bolso.
O tempo é a maior vantagem do mercado de impressão digital, afirma. O gerente da Xerox lembra que no processo off-set é preciso produzir um fotolito para cada impressão, gravar uma chapa, queimá-la, preparar a máquina, ajustar a impressão, aguardar a secagem e cortar. Dependendo da complexidade do produto impresso, explica ele, este processo pode levar dias.
Mas a era digital fez surgir as gráficas rápidas, que proclamam a morte do fotolito. É o caso da carioca Print Technology. Instalada no centro da cidade, a gráfica tem como trunfo um dos equipamentos mais sofisticados do mundo da impressão digital. Trata-se da Quickmaster DI Plus, sistema digital com qualidade de off-set produzido na Alemanha pela companhia Heildelberg.
Arlindo dos Santos, diretor da Print Technology, explica que a Quickmaster permite a impressão remota. Na prática, qualquer cliente pode enviar um arquivo à gráfica pela Internet e encomendar o trabalho, que será entregue horas depois do pedido. Ele comenta que o equipamento digital reduz em até 30% os custos.
Outro atrativo, principalmente para o frenético mercado publicitário, é a diminuição dos prazos. Um publicitário pode enviar um arquivo de seu escritório, corrigi-lo remotamente e ter o produto final no mesmo dia. Num processo off-set convencional, a impressão pode demorar dois dias.
A Quickmaster grava as quatro chapas (cian, magenta, amarelo e preto) em 15 minutos sem alterar a cor apresentada no monitor. E a tinta waterless (sem adição de água na composição) reduz o tempo de secagem sem alterar a cor, conta Santos.
De acordo com o sócio da Print Technology, no processo off-set convencional, a secagem pode demorar até cinco horas em papel normal e até 36 horas no caso do cuché. Ele assegura que, com a impressão digital, essa etapa não dura mais que uma hora. A carteira de clientes da Print Technology inclui concessionárias de serviços de telefonia e fornecimento de gás, bancos e agências de publicidade.
Apesar de serem equipamentos digitais, a Quickmaster e a máquinas da família Docucolor e Docutech, da Xerox, têm diferenças como a tinta. A máquina alemã trabalha com tinta sem adição de água, enquanto os equipamentos digitais da Xerox usam um toner. É o caso da família Docucolor, que acaba de ganhar mais um integrante no Brasil, a DC 100, que trabalha com tiragem mínima de 25 unidades. A Quickmaster exige, no mínimo, 300 exemplares.





