Europa deu o alerta nos anos 60
Os países escandinavos, no norte da Europa, foram os primeiros a alertar o mundo para os perigos da chuva ácida, no final dos anos 60. A população de peixes dos rios da Suécia declinava sistematicamente de ano para ano. Pesquisadores da Universidade de Estocolmo descobriram a causa. O pH da água dos rios se tornara mais ácido. Os peixes são muito sensíveis às mudanças do nível de pH no meio ambiente em que vivem. Eles não resistem a níveis inferiores a 4,5, explica o ornitólogo Carlos Eduardo Dias Camargo, de Campinas.
Em 69 o fenômeno se alastrou a tal ponto na Escandinávia que os governos de vários países resolveram fazer um levantamento geral da acidez da chuva no Norte da Europa. O que se descobriu foi que os ventos transportavam para a Noruega e Suécia poluentes produzidos na Inglaterra e na Alemanha Ocidental. Nestas regiões frias, os poluentes se concentravam e precipitavam-se na forma de chuva ácida. Para se ter uma idéia da gravidade da situação, ficou demonstrado que, no sul da Noruega, numa área de 13 mil km2 não havia mais peixes e noutros 30 mil km2 observou-se uma drástica diminuição da vida aquática, conta o químico Eduardo Humeres.
O agravante da situação durante a década de 70 levou governos de 34 países a assinarem uma convenção para efetivar as primeiras medidas de controle. Em 83, a União Soviética, os Estados Unidos e o Canadá também aderiram à convenção. Se não tivessem sido tomadas medidas enérgicas de controle, como foram tomadas na época, não seriam só os rios que estariam mortos, mas também os bosques e florestas da Escandinávia, afirma Dias Camargo.(P.S.M.)





