Estranho no ninho
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de junho de 1997
France Presse 
Um asteróide, que pode ser o primeiro de uma categoria particular de objetos da parte externa do Sistema Solar, acaba de ser descoberto por uma equipe norte-americana, que publicou, esta semana, os resultados de sua observação na revista britânica Nature.
Em 30 de agosto de 1991, dois astrônomos, David Jewitt, da Universidade do Havaí, e Jane Luu, da Universidade da Califórnia em Berkeley, localizaram, com um telescópio de 2,2 metros, um asteróide, o 1992 QB1. Era o primeiro objeto do Sistema Solar descoberto numa área além de Netuno e Plutão.
Depois, pouco mais de 30 asteróides (ou planetóides) foram descobertos nesta área, confirmando a teoria formulada em 1951 pelo astrônomo Gerard Kuiper.
Segundo Kuiper, para além das órbitas de Netuno e Plutão deve existir um cinturão composto pelos restos da formação dos planetas, objetos do tamanho dos asteróides que gravitam entre Marte e Júpiter, muito pouco densos para poderem aglomerar-se e formar planetas, e talvez compostos por poeira, gelo e gás gelado, como os núcleos dos planetas.
Esta teoria reapareceu no início dos anos 70, quando as simulações numéricas forneceram a prova de que os cometas de longo período, procedentes da nuvem de Oort, não podem ser capturados pelos planetas solares gigantes para transformarem-se em cometas de curto período.
Assim, os cometas de longo período e de órbita muito inclinada em relação à eclíptica procederiam da nuvem de Oort e os cometas de período curto, do cinturão de Kuiper, um anel que se estenderia de 30 a talvez várias centenas de unidades astronômicas. Dali procederiam também Plutão, Charon, seu satélite, e Tritão, um dos satélites de Netuno.
Um objeto - o 1996 TL66 - que se encaixaria nesta categoria acaba de ser descoberto por Luu, Brian Marsden, Jewitt e outros três colegas. Ao contrário dos 32 já localizados, este pequeno objeto, de 490 km de diâmetro e 60 bilhões de toneladas, em vez de ter uma órbita mais ou menos circular ao redor do Sol, descreve uma órbita muito elíptica e inclinada em relação à eclíptica (23,9 graus).


