Rio de Janeiro - Sala de convivência com computadores com acesso à internet e displays com conteúdo da escola nas paredes. Estúdio de edição de imagens e de áudio e câmeras fotográficas e de vídeo de última geração para empréstimo aos alunos. Aulas com conteúdo interdisciplinar, onde tratar de redes sociais, produzir vídeos e conteúdo multimídia é comum. Cursos técnicos de narrativas para Mídias Digitais, Multimídia e Programação de Jogos integrados ao ensino médio.
Quem imagina, pensa se tratar de uma escola particular, mas a instituição é pública. Fruto de uma parceria público-privada com o instituto Oi Futuro, da empresa de telefonia, o Colégio Estadual José Leite Lopes, no bairro da Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, é a única escola brasileira a integrar o grupo "School Tour", que representa a elite mundial do Programa Escolas Inovadoras da Microsoft, com o objetivo de pesquisar e reconhecer modelos e metodologias de educação inovadoras.
A cerimônia de reconhecimento da escola pela Microsoft aconteceu no último dia 14, e a reportagem aproveitou para conhecer o conceito e a metodologia da escola, que abriga o Núcleo Avançado em Educação (Nave). O Núcleo é um programa da Oi Futuro que funciona como um centro de pesquisa de novas metodologias educacionais replicáveis que dialogam com a cultura digital do século XXI e formam profissionais para o futuro.
Os 400 estudantes de ensino médio da unidade escolar do Nave receberam os jornalistas e os levaram para um tour pela escola, onde estudam em período integral, das 7h às 17h. O local era um antiga central telefônica que abrigava as linhas dos moradores do entorno. Com a privatização e digitalização da telefonia, apenas 10% da construção se tornou necessária para a operação. O restante do espaço foi cedido em comodato para a Secretaria de Estado da Educação do Rio de Janeiro, que criou o colégio estadual em 2008 para compor o Nave. O prédio então foi reformado e adaptado pela Oi Futuro para abrigar a escola.
Os locais que mais chamaram a atenção durante o passeio pela escola foram os estúdios de gravação de vídeo e de áudio que, segundo os estudantes, são muito utilizados para fazer trabalhos. Em outra sala, ficam disponíveis câmeras fotográficas e de vídeo para empréstimo aos alunos. Outros espaços, equipados com computadores all-in-one, são direcionados à produção de conteúdo multimídia. Na sala de convivência, os estudantes têm acesso livre a estes computadores durante os intervalos, e no mesmo local leem livros e revistas e interagem entre si. Em outro espaço de convivência, jogam damas, xadrez e videogame.
Mas não só de estrutura tecnológica é feita a escola. Durante as aulas, eles são estimulados a integrar as disciplinas à tecnologia. Em um deles, por exemplo, a professora os encorajou a fazer uma autobiografia aos moldes do Twitter: uma autobiografia em 140 caracteres. Em outro, usaram palavras para formar a imagem de personalidades históricas em um trabalho de composição gráfica digital.
Atraídos pela possibilidade de desenvolverem jogos digitais, muitos alunos compõem a concorrência de 20 por 1 para estudar no Nave. No Rio, estudantes de escola pública fazem um teste seletivo para ocuparem vagas. Mas ao chegarem por lá descobrem que também podem se profissionalizar em multimídia – que capacita o aluno a desenvolver aplicativos para plataformas digitais, como a IPTV e a TV Digital, e de Narrativas para Mídias Digitais, quando aprendem a atuar como desenvolvedores de roteiros e projetos de produção em mídias digitais.
Durante a cerimônia de reconhecimento da escola pela Microsoft como uma das 34 escolas mais inovadoras do mundo, estavam expostos jogos digitais criados pelos próprios alunos. Um deles chegou a ser premiado em um concurso de games.
"Quando entrei na escola foi surpreendente. Nunca tinha visto uma escola com uma infraestrutura dessa ao nosso dispor. E a aula não é como uma aula qualquer. É português integrado com animação, os professores dão um tema e a gente faz um jogo sobre isso", relata Lucas Gabriel, aluno do 2° ano do ensino médio. Ele conta que em casa não tinha condições nem de possuir internet. Lohraine Muniz, do 3° ano, sempre gostou de cinema e com o curso técnico em Multimídia se sente preparada para encarar a universidade de Cinema.
A repórter viajou ao Rio de Janeiro a convite da Oi.

mockup