Escola inovadora é adaptada ao jovem
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quinta-feira, 21 de março de 2013
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Rio de Janeiro - Sala de convivência com computadores com acesso à internet e displays com conteúdo da escola nas paredes. Estúdio de edição de imagens e de áudio e câmeras fotográficas e de vídeo de última geração para empréstimo aos alunos. Aulas com conteúdo interdisciplinar, onde tratar de redes sociais, produzir vídeos e conteúdo multimídia é comum. Cursos técnicos de narrativas para Mídias Digitais, Multimídia e Programação de Jogos integrados ao ensino médio.
Quem imagina, pensa se tratar de uma escola particular, mas a instituição é pública. Fruto de uma parceria público-privada com o instituto Oi Futuro, da empresa de telefonia, o Colégio Estadual José Leite Lopes, no bairro da Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, é a única escola brasileira a integrar o grupo "School Tour", que representa a elite mundial do Programa Escolas Inovadoras da Microsoft, com o objetivo de pesquisar e reconhecer modelos e metodologias de educação inovadoras.
A cerimônia de reconhecimento da escola pela Microsoft aconteceu no último dia 14, e a reportagem aproveitou para conhecer o conceito e a metodologia da escola, que abriga o Núcleo Avançado em Educação (Nave). O Núcleo é um programa da Oi Futuro que funciona como um centro de pesquisa de novas metodologias educacionais replicáveis que dialogam com a cultura digital do século XXI e formam profissionais para o futuro.
Os 400 estudantes de ensino médio da unidade escolar do Nave receberam os jornalistas e os levaram para um tour pela escola, onde estudam em período integral, das 7h às 17h. O local era um antiga central telefônica que abrigava as linhas dos moradores do entorno. Com a privatização e digitalização da telefonia, apenas 10% da construção se tornou necessária para a operação. O restante do espaço foi cedido em comodato para a Secretaria de Estado da Educação do Rio de Janeiro, que criou o colégio estadual em 2008 para compor o Nave. O prédio então foi reformado e adaptado pela Oi Futuro para abrigar a escola.
Os locais que mais chamaram a atenção durante o passeio pela escola foram os estúdios de gravação de vídeo e de áudio que, segundo os estudantes, são muito utilizados para fazer trabalhos. Em outra sala, ficam disponíveis câmeras fotográficas e de vídeo para empréstimo aos alunos. Outros espaços, equipados com computadores all-in-one, são direcionados à produção de conteúdo multimídia. Na sala de convivência, os estudantes têm acesso livre a estes computadores durante os intervalos, e no mesmo local leem livros e revistas e interagem entre si. Em outro espaço de convivência, jogam damas, xadrez e videogame.
Mas não só de estrutura tecnológica é feita a escola. Durante as aulas, eles são estimulados a integrar as disciplinas à tecnologia. Em um deles, por exemplo, a professora os encorajou a fazer uma autobiografia aos moldes do Twitter: uma autobiografia em 140 caracteres. Em outro, usaram palavras para formar a imagem de personalidades históricas em um trabalho de composição gráfica digital.
Atraídos pela possibilidade de desenvolverem jogos digitais, muitos alunos compõem a concorrência de 20 por 1 para estudar no Nave. No Rio, estudantes de escola pública fazem um teste seletivo para ocuparem vagas. Mas ao chegarem por lá descobrem que também podem se profissionalizar em multimídia que capacita o aluno a desenvolver aplicativos para plataformas digitais, como a IPTV e a TV Digital, e de Narrativas para Mídias Digitais, quando aprendem a atuar como desenvolvedores de roteiros e projetos de produção em mídias digitais.
Durante a cerimônia de reconhecimento da escola pela Microsoft como uma das 34 escolas mais inovadoras do mundo, estavam expostos jogos digitais criados pelos próprios alunos. Um deles chegou a ser premiado em um concurso de games.
"Quando entrei na escola foi surpreendente. Nunca tinha visto uma escola com uma infraestrutura dessa ao nosso dispor. E a aula não é como uma aula qualquer. É português integrado com animação, os professores dão um tema e a gente faz um jogo sobre isso", relata Lucas Gabriel, aluno do 2° ano do ensino médio. Ele conta que em casa não tinha condições nem de possuir internet. Lohraine Muniz, do 3° ano, sempre gostou de cinema e com o curso técnico em Multimídia se sente preparada para encarar a universidade de Cinema.
A repórter viajou ao Rio de Janeiro a convite da Oi.


