O número de linhas ativas na telefonia móvel cresce cada vez mais. No Brasil, são 135 linhas por 100 habitantes, segundo relatório da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No Paraná, o número não é muito diferente – chega a 131. Esta densidade de acessos e a intensidade do uso, entretanto, tem uma consequência: o aumento do tráfego de voz e dados e a indisponibilidade do serviço em alguns pontos e situações. Por este motivo, não é muito difícil encontrar pessoas que, mesmo em casa, não conseguem usar o celular para fazer ligações ou usar a internet.
O analista de suporte Marcelo Palermo é uma delas. "Eu moro no Jardim Bandeirantes, e dentro da minha casa o sinal cai, às vezes o sinal é baixo, e às vezes dá ocupado", conta. Para ter sucesso em suas ligações, o jeito é ir para a janela ou para a rua. De outro lado da cidade, seu colega de trabalho Maiki Moraes, também analista de suporte, passa pelo mesmo problema. De dentro da residência onde mora, que fica nos arredores do Hospital Universitário, é quase impossível fazer ligações ou acessar à internet. "Na rua inteira é assim", diz. A solução é usar o celular ao ar livre.
A partir de agora, as operadoras de telefonia poderão passar a oferecer ao cliente as femtocélulas, equipamentos semelhantes aos pontos de acesso para comunicação sem fio (WiFi) para melhorar a comunicação em locais de pouca cobertura celular e de internet móvel, como ambientes internos, zonas de sombra e lugares isolados, não abrangidos pela cobertura convencional da operadora. A regulamentação para o uso desta solução foi aprovada na última segunda-feira por meio da resolução 624/2013 da Anatel.
"Serve para melhorar a cobertura e a capacidade de comunicação de voz ou banda larga móvel. É como pegar uma Estação Rádio-Base (ERB) e colocar em casa", explica o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude. A aplicação da femtocélula pode ser comparada à das Estações Radio-Base, situadas nas torres de telefonia, mas com uma diferença muito importante: o alcance da femto é muito mais restrito, por isso é classificada como equipamento de radiação restrita. Da mesma forma, opera com baixa frequência, de até 1 Watt. Por isso, é indicada para ambientes internos, como empresas e residências.
As operadoras não são obrigadas a ofertar a femtocélula, mas poderão fazê-lo para melhorar os seus serviços e, consequentemente, aumentar a satisfação do cliente. O usuário precisa apenas ter internet banda larga fixa em casa, já que a femtocélula precisa ser conectada à rede para o escoamento do tráfego. O cliente não poderá ser cobrado pelo serviço, diz a resolução da Anatel.
Segundo o diretor de Operações da Sercomtel, Flávio Borsato, a tecnologia vem absorver a demanda crescente de acessos móveis. Hoje, é comum pessoas fazerem ligações ou acessarem conteúdos diversos da web pelo celular de dentro de casa ou no trabalho. "As pessoas hoje têm telefone fixo em casa, mas consideram o móvel muito mais prático, porque lá está a agenda e está sempre ao lado. O mesmo vale para a internet", comenta. Sem contar que ligações de celular para celular podem sair mais baratas. Com isso, "o tráfego indoor começou a aumentar muito fortemente", conta o diretor.

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