Época de ouro dos arcades revisitada

Reboot de Samurai Shodown prova que os 'fighting games' continuam fortes, atraindo a atenção dos jogadores atuais e aqueles que viveram a magia dos anos 1990

Victor Lopes - Grupo Folha
Victor Lopes - Grupo Folha


 



Na época de ouro dos fliperamas – início dos anos 1990 – o senso de competição para quem curte games era bem mais aflorado do que hoje, nos chamados eSports. Bem, ou pelo menos era diferente. No boteco, lado a lado com o oponente, ainda longe das competições on-line, quem perdia era “zoado” na hora, tinha que passar no caixa para comprar outra ficha e ainda ia para o final da fila. E sempre tinham aqueles jogadores invencíveis, que permaneciam nas máquinas por horas e o grande desafio era tirá-los desse status a qualquer custo.


Sem dúvida, essa rixa gostosa e nostálgica foi criada principalmente pelos jogos de luta. A empresa japonesa SNK, que surgiu no final da década de 1970, tem papel fundamental para a popularização desse estilo de game no Brasil e em todo o planeta, com títulos que trouxeram inovação em gameplay e gráficos de encher os olhos como Art of Fighting, Fatal Fury e os aclamados The King of Fighters e Samurai Shodown.




.
. | Divulgação
 



Bem, ao longo dos anos os chamados 'fighting games' passaram por muitas mudanças. Novas franquias também se tornaram gigantes, como Mortal Kombat e Street Fighter, mas também viveram um certo ostracismo, até porque outros gêneros surgiram e arrebanharam os players atuais. Mas enquanto houver remanescentes da época dos arcades, sempre haverá espaço para esses jogos que continuam marcando época.


No último mês, a cena dos fighting games ficou em alvoroço com a chegada de um novo game da franquia Samurai Shodown. O reboot traz tudo que os fãs amavam do game antigo, principalmente o 2, lançado em 1994, com toda a beleza dos gráficos da geração atual, mas sem se transformar em “commodity”, ou seja, mantém as suas raízes do passado, como um game que o jogador vai precisar treinar muito para se tornar um expert. Como um samurai, qualquer vacilo ou golpe equivocado pode ser fatal.


.
. | Divulgação
 



Quando Fabio Ruzycki relembra a “golden age” dos fliperamas, ele não poupa palavras para lembrar das suas memórias. Aos 42 anos, ele relata quanto foi bom ver a evolução dos fighting games acontecer ao longo da sua vida. Nostalgia que hoje ele transformou em eventos pela cidade de Londrina, criando campeonatos e fomentando a cultura dos players jogarem lado a lado novamente.


“Toda a vez que a SNK vai lançar algo, ficamos na expectativa se a empresa vai acertar a mão. Fomos presenteados com essa nova versão do Samurai, que trouxe praticamente tudo de bacana das versões antigas, com as melhorias gráficas e novas ferramentas dos games atuais. A sensação é de voltar no tempo, relembrar as casas de fliperamas...”


Jogando com Haohmaru, personagem eternizado em Samurai Shodown, Ruzycki relata que a jogabilidade continua bem parecida com os originais, baseadas nas “meia luas”, “horis” e nos “punchs”, fácil para qualquer jogador aprender. “Mas agora há técnicas novas, como de desarme, em que o personagem perde a arma. O bacana é que isso pode ser executado a qualquer momento. O jogo é simples, mas também tem técnicas muito avançadas para os jogadores mais hardcore. Alguns personagens são mais lentos, outros mais rápidos, e é preciso entender essa dinâmica.”


Por fim, para o jogador, enquanto o “pessoal das antigas” continuar relembrando a época dos arcades, os fighting games clássicos não morrerão. “Hoje o comportamento é diferente, poucos players da geração atual têm paciência para se dedicar e aprender como se joga, por isso depende da comunidade antiga. Para mim, nada vai tirar a estrela desses jogos que foram clássicos enquanto houver aquele pessoal mais velho que se dedica a esse estilo competitivo.”



SNK vai lançar novo console e The King of Fighters XV


Com sede em Osaka, no Japão, muita gente pensa que a SNK tenha perdido espaço no mercado graças a outras empresas concorrentes, como Sony e Microsoft. Mas é fato que ao se dedicar ao seu rico legado dos fliperamas – nos tempos em que o game retrô é  tão aclamado –, a empresa atinge um nicho bem interessante.


Fora isso, os fightings games continuam fortes e fizeram ótima migração para os e-Sports. No último final de semana, por exemplo, todos os olhos estavam em Las Vegas, no EVO 2019, principal campeonato de jogos de luta do mundo. A próxima etapa acontece entre os dias 24 e 26 de janeiro, no Makuhari Messe, um centro de convenções próximo a Tóquio.


E foi durante a competição que a SNK anunciou que já está produzindo The King of Fighters XV. A empresa não deu maiores detalhes, mas é a prova que um dos jogos de luta mais famosos de todos os tempos ainda tem muitos fãs e que a galera não quer ficar jogando apenas os antigos, como 97, 98 e 2002.


Além disso, através da sua conta no Twitter, a empresa japonesa anunciou que está trabalhando em um novo console, com design moderno e ainda com capacidade de conectar o Neo Geo Mini, último hardware lançado pela empresa no ano passado, em formato de um pequeno arcade e com jogos clássicos na memória.




Continue lendo


Últimas notícias