ENTREGABILIDADE - Spams deixam Brasil com má reputação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Pesquisa divulgada recentemente pela Return Path - empresa que trabalha com certificação de e-mails - apontou o Brasil com uma das piores reputações no envio de e-mails no mundo, com uma pontuação de apenas 16. O Canadá obteve a melhor reputação, com pontuação de 70, enquanto que os Estados Unidos ficaram com 67. Os números são resultado do fato de que os provedores de acesso (ISPs) estão tornando cada vez mais rígidos os métodos de filtragem. Isso faz que muitos remetentes de e-mails com baixa reputação sejam identificados como spammer, ou seja, aquele que envia spam.
A cartilha de segurança do Comitê Gestor da Internet (CGI) no Brasil classifica o spam como ''termo utilizado para se referir aos e-mails não solicitados, que geralmente são enviados para um grande número de pessoas''. Estão diretamente associados a ataques à segurança da internet, sendo responsável pela propagação de códigos maliciosos, disseminação de golpes e venda ilegal de produtos. Quando este tipo de mensagem possui conteúdo exclusivamente comercial também é chamado de Unsolicites Commercial E-mail (UCE).
Por isso, profissionais de marketing estão reavaliando suas ferramentas e estratégias de ação digital, já que há uma linha muito tênue entre spams e e-mails marketing, que funcionam como mala direta. Segundo Diego Camillo, gerente de entregabilidade da empresa All In - especializada em gerenciamento de campanhas de publicidade e e-commerce - mais que disparar milhões de e-mails, o importante é chegar à caixa de entrada do usuário. ''E-mails com baixa reputação vão direto para o lixo eletrônico ou barrados pelo provedor''.
Desta forma, remententes com sender score entre 50 e 70 estão sendo identificados como enviadores de spam. ''Ter um bom sender score, portanto, é essencial e vital para as empresas. Para evitar esta situação, os remententes devem prestar atenção à sua reputação e gerenciar suas métricas para que não se pareçam como spammers'', complementa Camillo. Mas aumentar a pontuação não é tarefa simples, sobretudo porque os servidores estão usando métricas mais rigorosas para filtrar os spams e botnets.
De acordo com Mauro Borges, professor do curso de Engenharia Elétrica e Telecomunicações da Universidade Norte do Paraná (Unopar), 90% dos provedores do Brasil já migraram sua porta 25 para 587, que é que uma espécie de servidor que filtra, por meio de criptografias, o conteúdo da mensagem enviada. ''Com esta mudança, será realizado controle de tudo o que é enviado antes de chegar ao usuário final, podendo haver barramento de e-mail enviado a um número grande de pessoas. Mas o melhor é a possibilidade de identificação do remetente na rede, passível de punição'', ressalta.
Spammers e fraudadores, segundo Borges, poderão adaptar suas ferramentas para roubar as senhas do usuário e, assim, autenticar em seu Mail Submission Agents (MSAs) para o envio de spam. ''As mensagens abusivas, no entanto, serão rastreáveis pelos provedores de acesso. Ou seja, haverá implementação de políticas de controle de vazão da informação de e-mails, bem como identificação das máquinas infectadas e os usuários abusivos'', ratifica. A migração da porta foi assinada em acordo com todas as operadoras de infraestrutura e provedores de acesso junto com o CGI e a Agência Nacional de Telecomunicações, que têm prazo de implantação total até abril de 2013.
Pesquisa
O levantamento ''Relatório 2012 Return Path Sender Score Benchmark - O poder de ser ouvido'', analisou os índices de reputação de mais de 130 milhões de endereços de IP que enviaram quase 20 trilhões de e-mails para ISPs da Rede de Reputação da Return Path, durante 2011, usando um Send Score. Nada mais é que um índice de reputação de um rementente de e-mail e uma medida das mesmas métricas que os ISPs utilizam na tomada de decisões sobre entregabilidade. A Return ajuda remetentes, editores e outros enviadores de grandes volumes de e-mail a ampliar suas taxas de respostas ao oferecer a solução de entrega.



