Não é novidade alguma que o fenômeno Linux esteja tomando proporções avassaladoras no mundo inteiro, fazendo tremer nas bases mesmo os gigantes mais estáveis e aparentemente eternos. O Brasil não escapa à tendência irresistível de abraçar esse sistema, cujo símbolo é um simpático pinguinzinho de cachecol. Todavia, o que mais tem chamado a atenção dos analistas do mercado aqui é a entusiástica disposição das corporações em adotar o Linux. Esta foi a impressão que tiveram os organizadores do evento Linux World’99, semana retrasada, no Centro de Convenções da Sucesu-SP. Foi a primeira vez que o Brasil sediou o evento, que já aconteceu várias vezes nos EUA e na Europa, atestando cabalmente a importância que este sistema operacional aberto está assumindo na composição de forças em disputa por maiores fatias de mercado.
O que chama a atenção dos representantes do ambiente corporativo é o baixo custo do Linux. Uma vez que começa a se firmar em nosso país uma postura anti-pirataria, um tanto tardiamente, diga-se de passagem, muitas empresas temem ser apanhadas com as calças na mão e querem às pressas regularizar sua situação, comprando versões oficiais dos softwares. Quando esbarram nos preços acabam quase caindo de costas. Como alternativa viável, algumas delas resolveram apelar para a opção Linux, que já deu suficientes provas de robustez e confiabilidade, tanto no mercado brasileiro, como no latino-americano. Apenas como exemplo, são 55 postos de saúde da Prefeitura de Foz do Iguaçu, todos interligados e rodando Linux muito bem, obrigado. Outro espetacular caso de sucesso é o da empresa Elmo Calçados, de Belo Horizonte (MG), com 67 lojas interligadas usando Linux desde, pasmem, 1992.
Diversos produtos baseados em Linux foram exibidos no Linux World’99 por empresas como Conectiva, IBM, Compaq e Oracle, rodando em servidores Intel (NetFinity, da IBM) e Risc (workstation Alpha, da Compaq-ex-Digital). Também foram proferidas várias palestras e relatados outros cases de sucesso do Linux em empresas brasileiras. Além de ser uma das patrocinadoras do evento, a Conectiva www.conectiva.com.br, empresa sediada em Curitiba, lançou oficialmente o Conectiva Linux - Edição Servidor, uma versão otimizada do sistema, fornecida em três CD-ROMs e regiamente documentada em português, com quatro manuais, além de mais de 750 aplicativos, abrangendo as áreas de administração de rede, bancos de dados, firewalls e TCP/IP, entre outras. Custa R$ 192. Outro produto que vem causando ótima impressão e também apresentado na feira foi o CL Guarani, o Linux em português.
Para quem esteve no evento, causou ótima impressão ver aquelas máquinas rodando Linux em português, com uma belíssima interface gráfica, amigável e jeitosa. Merece destaque uma destas interfaces, o GNU Windows Maker, que já faz sucesso em todo o planeta Linux, tendo sido adotada como interface padrão da Conectiva, escrita por um brilhante gaúcho chamado Alfredo Kojima.
Pelo que se vê, o Linux vai de vento em popa também aqui no Brasil.

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