Uma nova tecnologia utilizada para cultivar tecidos humanos a partir de células permitirá produzir toda uma gama de ‘‘reposições’’ para o corpo humano. Essa técnica, chamada ‘‘engenharia de tecidos’’, já permitiu a produção de pele humana para transplantes.
Segundo seus inventores, a técnica também poderá ser empregada para criar ossos, cartilagens e ligamentos, e poderia servir para fabricar fígados e músculos cardíacos. Só os rins parecem escapar até agora desta possibilidade de reprodução.
‘‘Não se trata de ficção científica. Agora que desenvolvemos a tecnologia, não existem limites para o que podemos fazer’’, afirma Gail Naughton, diretor da Advanced Tissue Sciences, uma companhia americana baseada em San Diego (Califórnia) que desenvolveu o método.
A técnica implica utilização de uma incubadora que recria as condições do ventre materno, a qual permite às células se desenvolverem naturalmente até alcançar a forma desejada em torno de uma estrutura feita a partir de materiais biodegradáveis.
As células são alimentadas por uma mescla de vitaminas, glucose, aminoácidos e proteínas, e o tecido cresce no mesmo ritmo que o faria no ventre materno: duas semanas para a pele, seis para os ossos, oito para os tecidos do fígado.
Como se trata de tecidos vivos, continuam se desenvolvendo no interior do corpo. Desta forma, uma nova cadeia se desenvolverá até se adaptar perfeitamente ao resto do corpo, ao contrário das cadeias artificiais feitas de metal e plástico.
O primeiro produto gerado por esta tecnologia é a pele utilizada nos transplantes para ajudar os diabéticos que desenvolvam úlceras na pele, muito difíceis de curar, e que muitas vezes precisam de amputações.
Gail Naughton disse que serão realizados na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos testes de transplantes de ossos do joelho criados por este método.
‘‘Esta tecnologia apresenta enormes vantagens para os esportistas que podem ficar incapacitados durante longos períodos por causa de contusões graves’’, afirmou Naughton. Segundo a pesquisadora, realizaram-se com êxito transplantes de ossos do joelho em coelhos e ovelhas. ‘‘Não há razão alguma para que não possamos fazer o mesmo para os humanos’’, afirma.

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