Enfim, uma vacina contra a asma
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segunda-feira, 09 de novembro de 1998
Paul Wymer Ciência Hoje 
No início do próximo milênio, a asma, uma das doenças mais comuns do mundo ocidental, poderá ser coisa do passado. Cientistas da Escola de Medicina do Imperial College, em Londres (Inglaterra), afirmam que uma vacina contra o mal pode estar pronta em três anos. A chave para o desenvolvimento de tratamentos futuros está relacionada com o vírus respiratório sincicial (RSV) que, segundo muitos especialistas, é a principal causa da doença.
Peter Openshaw e colegas da Escola de Medicina do Imperial College identificaram recentemente a parte ativa de uma substância produzida pelo vírus, uma proteína chamada G. Inicialmente, pensava-se que essa proteína desencadeava uma grande invasão de células inflamatórias nos pulmões de animais infectados. Sabe-se que essa invasão desequilibra o sistema imunológico, enganando o organismo para que ele adote o mesmo modo de defesa usado quando infectado por parasitas. Uma mucosidade espessa é produzida, provocando tosse, espirros e ajudando o vírus a contagiar outras pessoas.
O grupo do Imperial College testou uma variedade de proteínas G mutantes, mostrando que apenas uma pequena sequência dessa proteína é responsável pelo desequilíbrio do sistema imunológico em camundongos. Retirando-se da proteína G essa sequência, a proteína passa a ser inócua, podendo ser usada como vacina, conforme verificado em testes com camundongos que se mostraram imunes às infecções. Cientistas britânicos, em colaboração com pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde (EUA), esperam testar, dentro de três anos, vacinas vivas modificadas, com proteínas G alteradas, para desenvolver imunidade contra asma em crianças.
Realmente acreditamos que estamos às vésperas de produzir vacinas contra doenças, como a asma, associadas a manipulações da resposta imunológica, diz Openshaw. Entretanto, os pesquisadores estão agindo com extrema cautela. Um teste de uma primeira vacina anti-RSV foi desastroso. Crianças imunizadas precisaram mais vezes de tratamento hospitalar quando foram expostas ao RSV do que as integrantes do grupo de controle.
Nos últimos anos, houve em muitos países um rápido aumento nas taxas de admissão de pacientes com asma em seus hospitais, especialmente crianças. A Inglaterra tem a maior taxa de asma infantil do mundo: uma em sete crianças sofre de asma. Desde meados dos anos 60, o número de admissões de meninos e meninas em hospitais foi multiplicado por seis.
Apesar da incidência de asma ter aumentado, o tratamento tem sido o mesmo há anos. Os pacientes asmáticos usam inaladores (as bombinhas) para administrar dois tipos de drogas. Um deles para aliviar a crise, relaxando os músculos e abrindo as vias aéreas, tornando a respiração mais fácil. Outro contendo esteróides, para prevenir as crises e reduzir a inflamação. As drogas precisam ser usadas regularmente, mesmo quando o paciente está bem.
A asma resulta de uma reação alérgica a um antígeno (alergeno) como pólen, poeira, animais domésticos e fumaça. Durante uma crise, substâncias químicas nos pulmões chamadas leucotrienos provocam inflamações e o estreitamento das vias respiratórias. Os músculos que as envolvem ficam retesados, causando inchaço e acúmulo de mucosidade.
Existem várias teorias para explicar as razões do aumento da incidência da asma. O modo de vida mudou nas últimas décadas e, embora as casas sejam mais limpas, são mais secas e menos ventiladas. Além disso, móveis estofados, mais confortáveis e macios, são foco para o desenvolvimento de ácaros e seus dejetos, assim como para o aumento da poluição.


