Enciclopedia digital ganha ''vozoteca''
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de maio de 1999
Agência O Globo 
Um clique, dois cliques e Ari Barroso começa a discursar: Senhores ouvintes, esta oportunidade para mim é excelente, na data da instalação dos trabalhos da câmara municipal. Eu declaro que não entendo nada de política. Não sou político profissional. Eu vim aqui incumbido pelo meu eleitorado de trabalhar pelo conforto, pela saúde e pela educação do povo. Enquanto meu concurso for útil para a consecução destes objetivos, eu estarei nesta casa. Agora, quando começar a politicagem, não contem comigo. Eu não entendo nada disso.
O depoimento - de 1946, quando o compositor de Aquarela do Brasil e Na baixa do sapateiro foi eleito vereador pelo Rio de Janeiro - é apenas um trecho das quatro horas de áudio que compõem a vozoteca, uma novidade da Enciclopédia e dicionário Koogan-Houaiss Digital 99, que acaba de ser lançada.
Outro recurso inédito, por exemplo, é a biblioteca, que reúne cerca de 20 livros completos de autores brasileiros. Nesta estante virtual, o usuário poderá ler na tela do micro - ou imprimir - livros inteiros, como O cortiço, de Aluísio Azevedo, Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e O guarani, de José de Alencar. O critério usado na escolha dos títulos, segundo André Breitman, presidente da editora Delta, criadora do CD-ROM, foi a preparação de jovens para o vestibular. Nós decidimos dar preferência aos livros que caem nos concursos, diz André.
Lançada pela primeira vez em agosto de 1997, a enciclopédia cresceu e chega ao mercado este mês com mais conteúdo: o arquivo de mídias (som, imagens, animação) engordou 30% e foram acrescentados seis mil verbetes (no total, são 80 mil verbetes). Em números, isso significa que a enciclopédia dispõe de oito mil fotos, 120 minutos de slide-show (fotos com narração), cerca de 60 minutos de vídeo, cinco horas de áudio (incluindo a vozoteca e mais dois mil verbetes com locução), conjugação de praticamente todos os verbos da Língua Portuguesa e atlas com 220 mapas.
André ressalta que, por ser baseada na versão analógica da enciclopédia Koogan-Houaiss - que já vendeu mais de meio milhão de cópias no Brasil e 200 mil em Portugal - a edição digital procura dar atenção especial ao conteúdo nacional, em temas como história, personalidades, política, economia, educação e geografia. Estão lá, portanto, a participação do Brasil em Copas do Mundo, o registro de ícones como Oscarito (que conta uma piada na vozoteca), o movimento estudantil de 68, detalhes do mapa do Rio, entre outros itens.
Outro recurso inovador da enciclopédia, os chamados inforamas, também melhorou. Eles são uma espécie de pôster eletrônico e interativo sobre um determinado tema. Na primeira edição, havia três, sobre Brasil, reino animal e grandes compositores. Agora, existem outros seis: Leonardo Da Vinci, fotossíntese, Segunda Guerra Mundial, o futebol no Brasil, regras do futebol e história das Copas (1930 a 1994).
Como já passou o tempo das enciclopédias paradas no tempo, os criadores da Koogan-Houaiss prometem atualização constante, pela Internet. E alguns itens precisam mesmo: a enciclopédia ainda não registra, por exemplo, a morte da cantora lírica Bidu Sayão, que aconteceu em março passado. Por outro lado, os conflitos na Iugoslávia já estão prontinhos para serem baixados da rede.


