Empresas ainda não focam na segurança da Internet das Coisas
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
Imagine uma geladeira que sabe exatamente o que você precisa comer e envia ao seu smartwatch que está faltando pão integral na sua dieta. Ou um automóvel, que através de um scanner facial acerta o tipo de música que o motorista prefere e até passa informações sobre o resultado do jogo do dia anterior. Esta revolução tecnológica, em que itens do dia a dia como eletrodomésticos, meios de transporte, relógios, celulares e até roupas e calçados estão interligados e conectados à rede mundial de computadores se chama Internet das Coisas (do inglês "Internet of Things", ou simplesmente IoT.
Não se trata de algo apenas conceitual. De fato, equipamentos de tecnologia simples já estão recebendo hardwares e softwares capazes de conectar informações via internet e, a partir daí, facilitar a vida cotidiana. Mark Weiser, um notório cientista da computação norte-americano, disse certa vez: "As tecnologias mais importantes são aquelas que desaparecem. Elas se integram à vida do dia a dia, ao nosso cotidiano, até serem indistinguíveis dele". Isto é o que se imagina da IoT.
Mas existe uma "pedra no sapato" que pode travar uma evolução mais fluída acerca da tecnologia. O potencial mercado de trilhões de dólares da IoT esbarra em um fator crítico: a segurança. Um estudo realizado pela Capgemini Consulting empresa de consultoria de mercado em 100 startups e organizações apontam que apenas 33% dos executivos acreditam que os produtos da sua indústria são altamente resistentes a ataques cibernéticos. Além disso, 47% delas não fornecem qualquer informação de privacidade relacionadas aos seus produtos. Apenas 48% das empresas se concentram em desenvolver segurança aos seus dispositivos desde o início da fase de desenvolvimento.
O vice-presidente de Infrastructure Technology da Capgemini no Brasil, André Scatolini salienta que empresas têm que ter em mente que o usuário, na era da IoT, deve ter segurança para acessar todo dispositivo que tenha a premissa de se conectar. "Um exemplo bem recente foi o fato de hackers conseguirem controlar um carro remotamente com o motorista dentro. Imagine o quão perigoso é um cibercriminoso conseguir controlar, à distância, aceleração e direção de um carro inteligente?", indaga Scatolini.
Na opinião do especialista, segurança deveria ser um dos quesitos considerados desde o momento zero do planejamento e desenvolvimento de um produto com tal tecnologia. "Para o uso corporativo de IoT, a falta de segurança pode comprometer grandes investimentos em desenvolvimento de novos produtos ou em projetos de automação de processos. Isso sem falar que os dispositivos inseguros podem se tornar pontes para espionagem ou sabotagem".
Além dos problemas que podem ter no mercado consumidor, devido à insegurança dos potenciais clientes, Scatolini relata ainda que investir em segurança para qualquer produto desde sua concepção custa menos do que ter que retrabalhar a segurança após a criação do produto, pois nem sempre é possível alterar definições já feitas. "Em alguns casos, produtos podem ser lançados de forma insegura e serem retirados do mercado posteriormente, causando grandes prejuízos a todos os envolvidos, desde o designer até o cliente final e é forçado a desativá-lo".
Por fim, ele elenca alguns pontos para superar o desafio da segurança na IoT: estruturar equipe integrada de executivos de negócios e especialistas em segurança, integrar melhores práticas de segurança ao processo de desenvolvimento de produtos da IoT, educar os clientes com relação à segurança e lidar com as preocupações adotando Políticas de Privacidade transparentes. "Acredito que a escassez de profissionais especializados em segurança possa ser um dos entraves neste processo. De um ponto de vista mais amplo, a falta de profissionais envolvidos na concepção dos produtos ou projetos de IoT faz com que os riscos e seu alcance sejam subestimados", conclui o especialista.


