Ciência Hoje
Do Rio de Janeiro
Diminuir as reações alérgicas, reduzir os custos e multiplicar por cinco a capacidade de produção da vacina contra a febre amarela. Essas são as metas dos pesquisadores da Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, como desenvolvimento de uma nova tecnologia para a fabricação do imunizante.
No processo tradicional, que sofreu poucas melhorias desde o seu desenvolvimento no final dos anos 30, são usados ovos de galinha embrionados, livres de agentes patogênicos específicos. Os ovos são inoculados com vírus da febre amarela atenuados e em seguida triturados e transformados na suspensão viral que dará origem à vacina.
O novo método substitui tais ovos por culturas de células de embriões de galinha (fibroblastos), quintuplicando a capacidade de produção. ‘‘A produção de suspensão viral em culturas de células reduz em torno de 100 vezes as proteínas exógenas da galinha, o que diminui a possibilidade de reações alérgicas, que mesmo no método tradicional de produção são muito raras’’, explica Marcos Freire, coordenador do projeto desenvolvido no Laboratório de Tecnologia Virológica do Bio-Manguinhos.
Neste ano, foram iniciados os testes do imunizante em primatas não-humanos e, se tudo der certo, a comercialização deverá ocorrer a partir de 2002. ‘‘A expectativa é que alcancemos uma capacidade de produção anual de 200 milhões de doses, suficiente para cobrir a demanda mundial’’, conta Freire. Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a febre amarela ainda ocorre nas Américas do Sul e Central e na África.

mockup