Em busca da selfie 'perfeita'
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local
Os adolescentes estão "photoshopando" suas fotos antes de compartilhá-las nas redes sociais. Esta é a conclusão de uma pesquisa realizada pela empresa de segurança on-line AVG, que tinha como objetivo investigar os hábitos das pessoas na internet. Segundo o estudo, 60% das crianças brasileiras de 11 a 13 anos editam suas fotos antes de postá-las on-line. No mundo, este índice foi de 22%.
A maioria das crianças que afirmam ter este costume disseram fazê-lo para deixarem a foto mais divertida (34%). Mas, ao mesmo tempo, 30% afirmaram alterar suas fotos para se sentirem mais bonitas.
A pesquisa alerta para a pressão existente nas redes sociais para que, mesmo crianças e adolescentes, pareçam "perfeitos" na sua vida on-line. "É mais uma preocupação com como as pessoas estão preocupadas em parecerem mais do que são. Na internet, as pessoas só postam coisas boas, elas parecem felizes, bem-sucedidas, e isso pode causar uma frustração muito grande", justifica Mariano Sumrell, diretor de Marketing e especialista em segurança digital da AVG Brasil.
O diretor alerta ainda para o fato de que o conceito de beleza é relativo. "Todos os meios de comunicação divulgam um padrão de beleza que nem é realidade", acrescenta. Para ele, ao alterar digitalmente as fotos, os jovens precisam refletir o motivo pelo qual estão fazendo isso.
O coordenador de Comunicação Digital do Colégio Londrinense, Thiago Amadeu, diz que as crianças realmente adquiriram este hábito de "photoshopar" suas fotos antes de compartilhar, e que hoje existem inclusive diversas ferramentas que facilitam o trabalho de edição de imagens, como aplicativos para smartphones. "Hoje existem apps que até maquiam as pessoas", ele comenta. Na sua visão, as crianças entre 13 e 15 anos são aquelas que mais possuem o costume de alterar suas fotos. Elas fazem isto, segundo o coordenador, para se sentirem inseridas em um grupo. "As crianças querem estar inseridas culturalmente, inseridas em um grupo."
Estudantes do 8º ano do Colégio Londrinense, Giulia Carradore, 13 anos, Marcela Name, 14, Rebeca Brizola, 13, Vitória Navarro, 13, Mariana Lima, 13, e Maria Luisa Nonino, 13, e Beatriz Maia, 13, contam que os aplicativos para edição de fotos são, de fato, muito populares entre os adolescentes. Exemplos são apps que tiram imperfeições do rosto, modificam o corpo ou colocam maquiagem. Os motivos para o uso destas ferramentas são vários. "Às vezes porque não gosta do próprio corpo", diz Giulia. "Tem espinha e quer apagar", afirma Marcela.
No entanto, elas observam que é possível perceber quando as fotos são editadas. "Muitas pessoas fazem isso porque querem fama, querem se sentir mais populares. Mas tem menino que curte a foto, mas depois vê que não é a mesma coisa", diz Rebeca. O uso destas ferramentas geralmente estão dentro de um contexto de diversão. Tanto que, muitas vezes, as fotos modificadas nem vão para as redes sociais, afirmam as estudantes. Ficam no celular e meninos e meninas usam para mostrar para os amigos e se divertirem com isso. Para as meninas, fazer uso muito intenso deste tipo de recurso não é nada natural. "A pessoa vai passar uma imagem que não é de verdade", comenta Mariana.
"É legal postar foto, colocar um ícone, brincar, mas quando se trata de algo que vai modificar a pessoa, é algo que preocupa. Temos que ser quem somos." Esta é a opinião de Luciano Ferreira Maia, coordenador do Ensino Fundamental II do Colégio Londrinense. Para ele, tanto pais quanto educadores precisam ficar atentos a esta questão, principalmente em um momento que os jovens estão passando pela puberdade, por um momento de transformação. "Isso pode causar até transtornos de personalidade."