Em busca da ''consciência geek''
Superados os traumas, nerds e geeks estão se organizando como, antes deles, outras minorias oprimidas já o fizeram. Na Universidade de Harvard, existe a SONG, Society of Nerds and Geeks (Sociedade de nerds e geeks). Em Santa Cruz, Califórnia, há cerca de 30 auto-intituladas geek-houses, onde nerds optam por formar uma tribo e continuar morando juntos - de cinco a dez numa mesma casa - como numa república estudantil, mesmo depois de já terem se tornado profisionais de informática bem remunerados, trabalhando para as grandes indústrias de computadores do Silicon Valley.
Eles chamam um ao outro pela sua identidade no correio eletrônico e se reúnem em food-runs, que consistem em varar madrugadas comendo panquecas. Há também uma loja na Internet chamada GeekGeer, que vende roupas para nerds. O slogan da grife é: Anos atrás, eles me gozavam. Agora, sou eu quem se diverte.
E, claro, há o Geek Pride liderado por Tim McEachern, de 33 anos, pai de três filhos, fundador da One World Interactive Corporation, que já desenvolveu websites para empresas como GE, Xerox, Johnson & Johnson e Estee Lauder, entre outras. Além de manter o website www.geekpri de.com, McEachern tem um programa de rádio chamado Geek Nation e está organizando o Geek Pride Festival, que no próximo outono americano deverá reunir nerds do país inteiro para três dias de encontros em Boston. Queremos despertar consciência global sobre os geeks. Quem nós somos, o que fazemos, por que somos tão importantes. Tudo que acontecer no evento estará na Internet, para que pessoas do mundo todo possam aproveitar.
Se eles já estão no poder com a geração de Bill Gates e outros gênios da informática que viraram milionários, na próxima geração os geeks serão ainda mais onipotentes. É o que se conclui com Growing up digital (editora McGraw-Hill), de Don Tapscott, auto-proclamado primeiro livro a fazer a crônica de como a Geração Net está construindo uma revolução. Hoje, segundo pesquisa recente, 92% das crianças entrevistadas dizem que, entre TV e Internet, a segunda opção é mais divertida. E Tapscott não tem dúvidas sobre qual é mais proveitosa: Na rede, elas estão lendo, escrevendo, analisando. E isso está criando uma geração fluente, culta, criativa e independente, diz ele, de Toronto, pelo telefone de seu carro.





