Em 10 anos RNP tem 2 MBPS
Em 10 anos RNP tem 2 MBPS
Agência Brasil
O backbone nacional, rede de computadores interligados, tem cerca de 15 milhões de usuários atualmente. As ligações internacionais são feitas com seis estados norte-americanos, em instituições universitárias distintas e saem do Brasil direto de seis capitais, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.
Chamado de Rede Nacional de Pesquisas (RNP), o backbone dá acesso aos computadores de quase todo o País à rede mundial de computadores, a Internet. O programa custa R$ 8 milhões anuais ao CNPq, orçamento referente às ligações físicas e às conexões feitas pela Embratel. A empresa é a única a operar em alta velocidade atualmente, o que obriga as instituições que precisem realizar uma videoconferência a pagar pelo serviço à Embratel. Ela oferece acesso a rede com velocidade de 34 megabits por segundo.
Como a RNP trafega, no máximo, a 2 Mbps, há perda na comunicação em aplicações interativas que usem imagem. Assim, videoconferências hoje cada vez mais usadas em todo o mundo como instrumento para ministrar cursos de graduação, mestrado e doutorado a distância, ainda não são uma realidade no Brasil. Os poucos cursos a distância que já existem no País hoje acabam sendo caros em função do preço da ligação feita pela Embratel.
O Brasil, aliás, entrou na era da informação em tempo real (imediata) apenas em 89, quando a RNP passou a existir de fato. As negociações para a instalação de uma malha nacional de computadores começaram em 87 e, nessa época, haviam algumas universidades que operavam com seus computadores interligados a uma rede mundial, tais como a Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ainda a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Até 89, o sistema ainda operava isoladamente nessas instituições e era conhecido como Bitnet.
Com a entrada do CNPq no gerenciamento do backbone brasileiro, passou-se a ter uma malha nacionalmente interligada, com um ponto internacional saindo de São Paulo. A RNP trafegava então entre São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre, sendo a primeira a 1 Mbps e as outras três a 64 Kbps. Até 94, foram sendo integradas à rede as capitais Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Recife e Salvador. A partir deste ano entraram São Luis, Campina Grande (PB), Goiânia e Cuiabá.
Em 1995, a RNP deu um salto substancial e passou a trafegar com 2 Mbps nas cidades que antes tinham apenas 64 Kbps. Brasília ganhou uma conexão internacional e as cidades de Campo Grande, Teresina, Palmas, Maceió e Natal entraram na rede. Outra mudança significativa ocorreu em 96, quando a menor velocidade passou a ser de 128 Kbps. Vitória e Porto Velho passaram a integrar a RNP com essa velocidade. Manaus, Belém, São Luís, Salvador, Campo Grande e Curitiba ganharam mais velocidade no tráfego da rede com 1 Mbps.
Juntaram-se a São Paulo, Rio, Brasília e Porto Alegre, que já trafegavam a 2 Mbps, as cidades de Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis. Em 1997, foi a vez da rede passar para 1 Mbps em Palmas. As ligações internacionais neste ano aumentaram para cinco e hoje saem de São Paulo, Brasília, Rio, BH e Porto Alegre.
Alguns pedidos feitos à Coordenação de Tecnologia da Informação devem ser atendidos ainda este ano. São os de Cáceres (MT), Tefé (PA), Boa Vista, Santarém (PA), Macapá, Marabá (PA) e Fernando de Noronha.
De acordo com Costa, as redes metropolitanas terão não só a vantagem de trafegar numa velocidade maior, como terão sua conexão própria. A RNP, por exemplo, precisa contratar as linhas de acesso da Embratel, a única empresa a dispor das fibras óticas, ficando por conta do CNPq apenas a gestão da malha, tais como indicação e definição dos pontos de presença.
Por ser um consórcio, as teles locais entrarão com a infra-estrutura, ou seja, a colocação das fibras óticas que permitem o tráfego de dados. Num primeiro momento, os profissionais que trabalharão nas redes metropolitanas se capacitarão com a tecnologia de alta velocidade. É preciso aglutinar esforços no sentido de difundir essa tecnologia, afinal a tendência mundial é essa, rapidez e sofisticação na troca de informações, observou o coordenador de Tecnologia da Informação do CNPq.
A Internet 2 é uma realidade hoje nos Estados Unidos, na Europa e no Canadá. Mais de cem universidades americanas e algumas empresas trafegam a 155 Mbps aglutinadas em dois grandes consórcios. Com ela, os pesquisadores podem simular um experimento a distância, dispor de uma biblioteca virtual, captar imagens em três dimensões, fotografar o material em análise de um microscópio e ter acesso a informações de geoprocessamento em tempo real.





