DivulgaçãoPesquisaO Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, começou a funcionar com 76 projetos. Equipamento é o primeiro do Hemisfério SulO síncrotron, equipamento construído com a tecnologia mais sofisticada conseguida até hoje no Brasil, entrou em funcionamento no início deste mês, em Campinas (100 quilômetros de São Paulo), com cinco anos de atraso. O equipamento começou a ser construído no final dos anos 80 pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e deveria estar pronto em 92, mas faltou dinheiro. O projeto foi inteiramente financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que investiu nos últimos dez anos R$ 50 milhões para a sua conclusão.
Com a inauguração do equipamento, o Brasil começou a fazer parte do restrito grupo de 11 países que detêm a tecnologia de produção da luz síncrotron. Além do Brasil, apenas os Estados Unidos, França, Itália, Inglatera, Alemanha, Suécia, Rússia, China, Japão, Índia e Coréia, possuem esta tecnologia. O equipamento brasileiro é o primeiro do Hemisfério Sul.
A luz síncrotron é gerada por elétrons circulando em alta velocidade em um acelerador de partículas (leia texto nesta página). Trata-se da mais intensa fonte de luz que se conhece. Ela abrange as faixas do infravermelho, ultravioleta e raios X, além da faixa da luz visível. Sua utilidade em diversos ramos da indústria - da alta tecnologia à química fina - é incalculável. Através da luz síncrotron é possível, por exemplo, recortar com precisão atômica as máscaras empregadas na construção de microchips de computador de última geração.
Como é emitida a partir de elétrons em alta velocidade, a luz síncrotron é capaz de atravessar estruturas atômicas sem sofrer refração - ou ser desviada. O raio X é a principal fonte utilizada, até hoje, para se penetrar e visualizar as estruturas profundas da matéria. Mas o raio X não pode ser captado com precisão assim que atravessa os objetos que estão sendo estudados. Por isso ele fornece leituras imprecisas, até impossíveis em alguns casos. Com a luz síncrotron ocorre o contrário. ‘‘É como se pudéssemos olhar através do átomo’’, diz o vice-diretor do laboratório, Aldo Craievich. Isso a transforma na fonte mais avançada que se conhece para estudar a microestrutura de átomos e moléculas.
Mercado próprio O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron começou a funcionar com 76 projetos de pesquisa. Entre elas estão estudos de processos de oxidação e corrosão; análises de materiais eletrocrômicos, aqueles capazes de alterar suas propriedades óticas em resposta a mudanças ambientais; estudos de catalisadores e cristais semicondutores. Mas um dos grandes charmes do laboratório é a pesquisa para o desenvolvimento de novos medicamentos (leia texto nesta página). ‘‘A partir destas primeiras pesquisas começamos a ter o que mostrar, concretamente. Por isso acreditamos que a indústria começará a se interessar e participar dos investimentos’’, diz o empresário José Dinis de Souza, que integra o conselho diretor do laboratório. Segundo ele empresas e pesquisadores que queiram utilizar a luz síncrotron já podem utilizar os equipamentos do laboratório.
A tecnologia desenvolvida para a construção do equipamento brasileiro também está abrindo o seu próprio mercado. O Canadá convidou o Brasil para participar da concorrência internacional para a construção de um laboratório de luz síncrotron naquele país. A Alemanha encomendou seis componentes da fonte de luz do laboratório de Campinas e o laboratório americano da Universidade do Estado de Louisiana está adquirindo componentes brasileiros.

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