Bernardo Esteves
Ciência Hoje
De Belo Horizonte
O Brasil é o único país do mundo em que o chuveiro elétrico, instalado em mais de dois terços de suas residências, é a forma predominante de aquecimento da água para banho. Segundo dados da Eletrobras, em 1988 havia no país 17,5 milhões de unidades do aparelho. Hoje o chuveiro elétrico faz parte da cultura brasileira, e três fatores podem explicar seu grande alcance e aceitabilidade: baixo preço (os modelos mais baratos custam R$ 25), facilidade de instalação (dispensa tubulação especial) e alta taxa de conversão energética (quase não há desperdício).
Mas no final do mês o chuveiro elétrico acaba saindo caro para os consumidores. O aquecimento da água para banho corresponde a 26% da energia consumida nas residências brasileiras e a mais de 6% de todo o consumo nacional. Além disso, os chuveiros requerem grande investimento no âmbito da geração de energia, da ordem de R$ 1.500 para cada aparelho instalado, segundo a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Acrescenta-se a esse inconveniente, o enorme impacto ambiental causado pelas usinas hidrelétricas: cada pessoa que toma banho exige a inundação de uma área e 56m2.
Tais gastos poderiam ser consideravelmente reduzidos se fosse usada a energia solar no aquecimento da água. ‘‘O custo social do chuveiro elétrico é muito alto’’, afirma Elizabeth Pereira, professora do Departamento de Engenharia Mecânica da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e coordenadora do Centro Brasileiro para Desenvolvimento da Energia Solar Térmica ou Gren Solar. O centro tem como objetivo central substituir os chuveiros elétricos por coletores solares para aquecimento da água em âmbito nacional.
Sediado em Belo Horizonte, o centro nasceu em 1997 a partir de um acordo entre a PUC-MG, os governos federal e estadual e a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).
O Green Solar promove o uso da energia solar no Brasil desenvolvendo projetos que vão da fabricação de coletores solares de baixo custo à criação de softwares para dimensionamento e simulação de instalações solares de médio e grande portes. O centro é responsável pela criação de uma etiqueta do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) para regulamentar em âmbito nacional os coletores solares em função de sua durabilidade e eficiência.
Entre os projetos do Green Solar, destaca-se a construção, em regime de mutirão, de 100 casas equipadas com coletores solares para aquecimento de água em um bairro pobre da região metropolitana de Belo Horizonte. O projeto começou a ser posto em prática em março passado.
O Green Solar preocupa-se também em capacitar e treinar engenheiros e arquitetos na implantação de coletores solares. ‘‘Quase não existe mão-de-obra que saiba lidar com essa tecnologia. É preciso criá-la’’, afirma Pereira. O centro fornece ainda assessoramento e suporte tecnológico aos profissionais de todo o país que estejam incluindo coletores solares em suas obras, através de um programa de consultoria a distância pela Internet.

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