ReproduçãoPreparem os guarda-chuvas, na região Sul e Sudeste do Brasil a previsão é de chuvas intensas já a partir de setembroO fenômeno climático El Ni¤o está de volta e já preocupa cientistas e meteorologistas. O El Ni¤o é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial que provoca alterações climáticas em várias partes do mundo. Este ano, relatórios divulgados pela National Oceanic and Atmosferic Administration - NOAA - órgão que faz avaliação de dados ambientais usando a tecnologia de satélites, nos Estados Unidos, indicam a presença de um El Ni¤o com forte intensidade.
Alguns pesquisadores consideram que esta é a mais forte manifestação do El Ni¤o neste século, já que as águas do Pacífico Equatorial, na altura da costa do Peru, estão cinco graus mais quentes que o normal. A última vez que o El Ni¤o apareceu com considerável intensidade foi em 1983, quando as águas chegaram a ficar 3,5 graus acima da média.
No Brasil, as consequências mais evidentes são observadas nas Regiões Sul e Nordeste e muitas vezes em parte do Sudeste. Em época de El Ni¤o, as chuvas tendem a ser mais intensas no Sul e escassas no Nordeste brasileiro.
A explicação meteorológica é que quando ocorre o aquecimento das águas do Pacífico, o ar quente proveniente desta área é levado pelos ventos para o Nordeste do Brasil, intensificando a massa de ar quente já existente nesta região brasileira. A intensificação dessa massa de ar quente não permite, então, a formação de nuvens de chuva e passa a bloquear o avanço das frentes frias vindas do sul do continente - as frentes frias conseguem, no máximo, atuar sobre o Sul do Brasil e, às vezes, sobre parte do Sudeste, provocando chuvas apenas nestas regiões. Com isso, o clima do Brasil começa a criar situações atípicas, como chuvas intensas que podem provocar inundações nos Estados do Sul e secas devastadoras no Nordeste.
AmadurecimentoSegundo o pesquisador Prakki Satyamurti, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Cachoeira Paulista, Vale do Paraíba, as águas do Oceano Pacífico Equatorial começaram a apresentar indicações da presença do El Ni¤o em abril deste ano. Porém, o que chama a atenção do pesquisador é que desta vez o El Ni¤o amadureceu muito rápido. Isto é, o aquecimento do oceano aconteceu rapidamente atingindo cinco graus acima da média.

ReproduçãoEste ano, o El Ni¤o aconteceu mais cedo e a previsão é de seca devastadora nas regiões Norte e NordesteDe acordo com Satyamurti, é uma situação anômala pois este pico de temperatura costuma acontecer gradualmente chegando ao amadurecimento no final do ano, justificando, assim, o nome dado ao fenômeno, ‘‘O Menino’’, numa referência à época do Natal. ‘‘A situação do fenômeno este ano pode causar secas intensas no Norte e sertão do Nordeste do Brasil entre os meses de fevereiro e maio do próximo ano, período que corresponde à estação chuvosa na Região’’, prevê o pesquisador.
O meteorologista da empresa de consultoria em previsão do Tempo, Climatempo, Carlos Magno do Nascimento, também está prevendo uma grande influência do El Ni¤o sobre o clima do Nordeste. ‘‘Há previsão de um período mais seco, podendo se repetir o que aconteceu em 1983, quando o fenômeno climático manifestou-se com grande intensidade sendo o reponsável por uma das maiores secas registradas no Nordeste brasileiro e pela perda de 70% da produção de grãos da região’’, lembra o cientista.
Já na Região Sul do Brasil, ao contrário, a presença do El Ni¤o, principalmente durante o verão, pode significar chuvas acima da média. Isso deve ocorrer sobre a Região Sul e em parte do Sudeste, a partir de setembro, com o fim do inverno e início do período mais chuvoso.
EfeitosAlguns efeitos do fenômeno, tanto no Brasil como em toda a América do Sul, já podem ser observados, de acordo com o meteorologista Carlos Magno. No Brasil, as temperaturas elevadas em pleno inverno na região central e na Região Sudeste e o alto índice de chuva no Sul do País indicam a presença do El Ni¤o. Na América do Sul, temperaturas altas no Peru, Colômbia, norte da Argentina e no Paraguai, e a umidade acima da média no centro do Chile, também seriam manifestações do fenômeno.
O meteorologista explica que as temperaturas oceânicas têm um grande impacto sobre as condições atmosféricas. Isto significa que a mudança de poucos graus podem perturbar os padrões meteorológicos globais. Este ano, o El Ni¤o, que só acontece no Oceano Pacífico, pode estar afetando também outros oceanos e mares. Carlos Magno cita como exemplo o Oceano Atlântico Norte que está com a temperatura da água de um a dois graus mais alta que o normal e o Mar Mediterrâneo que chega a ter 1,5 grau acima da sua média. No caso do Mediterrâneo, a elevação da temperatura da água pode ser responsável pelas enchentes e tempestades que vêm ocorrendo na Europa.
O El Ni¤o é um fenômeno climático que ocorre normalmente a cada três ou sete anos com duração aproximada de 12 meses. Os meteorologistas ainda estudam suas causas e consideram o El Ni¤o um fenômeno pouco compreendido pela ciência. O que se sabe é que em épocas normais os ventos trazem uma corrente marítima das regiões polares até a costa do Peru mantendo a temperatura na superfície do mar em sua média normal. Estatísticas mostram que a cada dois anos e a cada sete anos os ventos se enfraquecem e não transportam a corrente fria até as regiões tropicais elevando a temperatura na superfície do oceano de um a quatro graus. A causa desse enfraquecimento dos ventos, que dá origem ao El Ni¤o, continua sendo estudada pelos climatologistas.

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