Egípcios usavam a maquiagem com fins terapêuticos
France Presse
Os egiptólogos já sabiam que a cosmética era uma arte florescente nos tempos dos faraós, mas pesquisas de uma equipe francesa acabam de revelar que os antigos egípcios sabiam inclusive sintetizar artificialmente a maquiagem que, além disso, servia de proteção contra as doenças e os rigores do clima.
Publicada no mês passado pela revista britânica Nature, esta investigação, realizada por Philippe Walter, do Centro Nacional Francês de Pesquisas Científicas (CNRS) e uma equipe conjunta do Laboratório de Pesquisas dos Museus da França e do LOréal Recherche, em colaboração com o Synchrotron de Grenoble (Sul da França), permitiu demonstrar que os egípcios dominavam há 4 mil anos a química de síntese em suas receitas de maquiagem.
Para chegar a esta conclusão surpreendente, os pesquisadores estudaram um longo papiro da época helenística que trata da fabricação de substâncias médicas e de maquiagem e analisaram os produtos cosméticos contidos em 49 frascos de maquiagem conservados no Museu do Louvre.
Durante um longo processo, os pacientes químicos das margens do Nilo introduziam óxido de chumbo em água salgada, agregando em certos casos carboneto e natro, ingredientes utilizados também no processo de mumificação.
Acrescentados à maquiagem, os finos pós brancos obtidos desta mistura - bons para os olhos e para a pele e eliminadores de rugas e manchas, define o grego Dioscórides em seu tratado de papiro -, continham laurionita e fosgenita, duas substâncias derivadas do óxido de chumbo que praticamente não estavam na natureza e que, por fim, foram obtidas através da química de síntese.
Este estudo, reforçaram os pesquisadores, abre o caminho para um conhecimento mais profundo de formulação dos produtos de maquiagem e dos hábitos cosméticos do segundo milênio antes de Cristo. A partir de suas conclusões, será possível ampliar ainda as pesquisas relativas a todo o mundo mediterrâneo da antiguidade, particularmente na época romana.





