ReproduçãoNão basta uma postura politicamente correta para salvar o planeta. A estratégia implica em mudar mentalidades e este é um trabalho a longo prazoProteger e presevar o ambiente ultrapassam ações de reflorestamento, tratamento de lixo urbano e industrial, recuperação e repovoamento de rios poluídos. Requer mudança de mentalidade e consciência não só da população que habita lugares próximos aos chamados ‘‘santuários ecológicos’’ como também dos povos do mundo inteiro. Isso é, sem exagero, a garantia da preservação da espécie humana no próximo milênio.
A degradação do planeta é fato que vem preocupando desde a década de 70, quando conferências mundiais davam mostras de que o momento exigia ações firmes do governo e população. Na época, a Conferência de Tbilisi, na Georgia, reuniu representantes de 50 países e apenas um chefe de estado, a primeira ministra da Índia, Indira Ghandi. A presença maciça de técnicos e chefes de estado de 172 países na Rio92, realizada no Rio de Janeiro, demonstrou que o tema já é uma das principais prioridades dos governos. Os chefes de estado assinaram a Agenda 21, documento que definiu em 40 capítulos as metas para o desenvolvimento sustentável no próximo milênio.
Uma postura politicamente correta não é a principal mola propulsora das ações que visam a salvação do planeta. Existe, sim, uma preocupação econômica. Basta lembrar que bilhões de dólares são perdidos anualmente por problemas ambientais, como secas que prejudicam a agricultura, solos férteis que são levados pela erosão e aumento de áreas desertificadas, a falta e alto custo da água em muitas regiões.
Garantir vida às geraçãoes futuras, sentenciam especialistas, depende de mudança de mentalidade e até de padrões de consumo. Não é aceitável que populações de países desenvolvidos consumam produtos que gerem toneladas de lixo. Ao contrário da década passada, o correto agora é valorizar a durabilidade de materiais. Além disso, uma idéia que vem sendo disseminada é que o acesso aos bens de consumo não devem se limitar àqueles que possuem dinheiro.
Especialistas têm consciência de que a mudança não vai acontecer com a disseminação da idéia só pelos meios convencionais. O discurso é bonito e tocante. Mas o grande desafio é como fazer chegar a mensagem a populações pobres e até famintas - muitas vezes não alfabetizadas - e que contribuem decisivamente para a degradação por falta de informação. No outro extremo, como convencer pessoas com excelente padrão de vida de que precisam abrir mão de alguns privilégios tendo como argumento a garantia de um mundo no qual não vão viver.
ReflexãoA educação ambiental vem sendo considerada como um dos trunfos para a tomada de consciência necessária. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, criou uma comissão para tratar exclusivamente do tema. A partir dessas discusões foi criado em 94 o Programa Nacional de Educação Ambiental (Pronea), que este ano estará promovendo a 1ª Conferência Nacional de Educação Ambiental, de 7 a 10 de outubro, em Brasília.
De acordo com Joarez Moreira Filho, técnico da Secretaria de Coordenação dos Assuntos do Meio Ambiente, a conferência vem sendo preparada como um espaço para a reflexão sobre a prática da educação ambiental no Brasil. O evento pretende traçar, através de grupos de trabalho de temas como ‘‘Educação Ambiental e a Agenda 21; Educação Ambiental não Formal; Papel e Desafios da Educação Formal; Educação Ambiental e Políticas Públicas; Educação Ambiental na Formação da Cidadania; Linhas para a Definição de Políticas para a Educação Ambiental no Brasil’’. A Conferência tem como finalidade também fazer uma avaliação dos 20 anos de Tbilisi e dos cinco anos da Rio 92.
A Conferência Nacional não se encerra em si mesma. Antes dela será realizado o 4º Fórum de Educação Ambiental, em agosto, que vai definir recomendações sobre a educação ambiental no Brasil. Ele será precedido de pré-fóruns, que serão realizados nas diversas regiões do Brasil. O 4º Fórum e a 1ª Conferência são preparatórios à 1ª Conferência Internacional Sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Conscientização Pública para a Sustentabilidade, que será realizada em Thessaloniki, Grécia, de 8 a 12 de dezembro deste ano. A comissão que irá representar o Brasil terá em mãos o documento aprovado na Conferência Nacional.

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