Editores provam o livro do futuro
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de setembro de 2000
France Presse 
Animados pela tecnologia, os editores americanos competem em imaginação para tentar projetar o protótipo do livro do futuro que, para alguns, a única coisa que terá em comum com a era de Gutemberg será a magia das palavras.
Esses livros serão vendidos por capítulos, e ilustrados com vídeos. O leitor poderá folheá-los em sua tela ou num pequeno aparato que cabe na palma da mão. É como a invenção do automóvel. Os postos de gasolina não existem, e as estradas ainda não foram construídas. Mas temos um veículo em marcha, e a viagem pode começar, acredita um dos vice-presidentes da Microsoft, Dick Brass, encarregado dos programas de edição.
Os testes se multiplicam, sinal de que o livro digital não está mais relegado à ficção científica. O primeiro avanço ocorreu em março, com a publicação apenas na Internet de uma novela de Stephen King, Riding the Bullet, que vendeu mais de 500 mil exemplares.
Todos os grandes editores, de Simon & Schuster a Random House, começam a vender best-sellers ou textos menos conhecidos pela Internet. Esta revolução, uma vez concluída, terá o mesmo impacto que o livro de bolso nos anos 60/70, antecipa o presidente da Simon & Schuster, Jack Romanos.
Os textos podem ser baixados pela Internet, e lidos em aparelhos eletrônicos (e-books), com o mesmo formato de um livro. E também pode ser impresso, de acordo com a vontade do usuário.
A Microsoft lançou em agosto o Reader, um programa que possibilita que um livro seja baixado e lido diretamente na tela dos computadores. O usuário só precisa investir 200 dólares para comprar um e-book.
Os livros vão falar. E vão associar som, imagem e texto, entusiasma-se o editor Dick Brass. Mas e o livro impresso? Vai se tornar uma raridade? O papel vai ficar cada vez mais raro diz Brass. A geração atual de leitores será substituída em 20 anos por leitores de livros eletrônicos, diz o editor Jack Romanos.
Mas ainda é muito cedo para falar de um cenário preciso, e, como todas as boas coisas da vida, é possível que os livros de papel nunca venham a morrer.


