Animados pela tecnologia, os editores americanos competem em imaginação para tentar projetar o protótipo do ‘‘livro do futuro’’ que, para alguns, a única coisa que terá em comum com a era de Gutemberg será a magia das palavras.
Esses livros serão vendidos por capítulos, e ilustrados com vídeos. O leitor poderá ‘‘folheá-los’’ em sua tela ou num pequeno aparato que cabe na palma da mão. ‘‘É como a invenção do automóvel. Os postos de gasolina não existem, e as estradas ainda não foram construídas. Mas temos um veículo em marcha, e a viagem pode começar’’, acredita um dos vice-presidentes da Microsoft, Dick Brass, encarregado dos programas de edição.
Os testes se multiplicam, sinal de que o livro digital não está mais relegado à ficção científica. O primeiro avanço ocorreu em março, com a publicação apenas na Internet de uma novela de Stephen King, ‘‘Riding the Bullet’’, que vendeu mais de 500 mil exemplares.
Todos os grandes editores, de Simon & Schuster a Random House, começam a vender best-sellers ou textos menos conhecidos pela Internet. ‘‘Esta revolução, uma vez concluída, terá o mesmo impacto que o livro de bolso nos anos 60/70’’, antecipa o presidente da Simon & Schuster, Jack Romanos.
Os textos podem ser baixados pela Internet, e lidos em aparelhos eletrônicos (e-books), com o mesmo formato de um livro. E também pode ser impresso, de acordo com a vontade do usuário.
A Microsoft lançou em agosto o Reader, um programa que possibilita que um livro seja baixado e lido diretamente na tela dos computadores. O usuário só precisa investir 200 dólares para comprar um e-book.
‘‘Os livros vão falar. E vão associar som, imagem e texto’’, entusiasma-se o editor Dick Brass. Mas e o livro impresso? Vai se tornar uma raridade? ‘‘O papel vai ficar cada vez mais raro’’ diz Brass. ‘‘A geração atual de leitores será substituída em 20 anos por leitores de livros eletrônicos’’, diz o editor Jack Romanos.
Mas ainda é muito cedo para falar de um cenário preciso, e, como todas as boas coisas da vida, é possível que os livros de papel nunca venham a morrer.

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