Editoras lançam produtos para crianças
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quarta-feira, 02 de abril de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaSucessoAs editoras apostam no novo filão e fazem lançamentos para satisfazer um público bastante exigenteProdutos em CD-ROM já fazem parte da programação de lançamentos de qualquer editora que queira estar no mercado daqui a cinco anos. Quem ainda nao faz multimídia, em breve estará fazendo, avisa Gilberto Mariot, gerente do departamento de produção da editora Ática.
No Brasil, o debut das editoras convencionais no mercado eletrônico foi na Bienal do Livro de 95. Lá, empresas como a Companhia das Letras, FTD, Moderna e a propria Ática testaram as vendas de livros transformados em títulos em CD. Foi um sucesso.
A Companhia das Letras não tem pressa, mas quer estar no mercado de multimídia. A sua divisão de infantis, Companhia das Letrinhas, já explora este filão. Lançou o Letrinhas Eletrônicas, programa dividido em três partes, cada uma com um poema, e alguns jogos educativos. A tiragem foi de 3 mil exemplares. O esperado Guia dos Curiosos, de Marcelo Duarte, não chega tão cedo. O projeto já foi adiado para o ano que vem.
Em 95, a Editora Ática transformou seu best-seller Quero Aprender Matemática em CD-ROM. Só no primeiro ano vendeu 15 mil cópias, alcançando, este ano, a casa dos 30 mil exemplares. Decidiram então criar a divisão Ática Multimídia. A aposta neste setor é grande: estão sendo investidos, em 1997, cerca de US$ 5 milhões para o lançamento de 28 produtos.
Em abril, chega às prateleiras uma coleção de inglês com recursos de reconhecimento de voz. A Série Traci (sigla da IBM para esta tecnologia) começa com um título básico e um avançado. Pensando no futuro, a Ática já fechou acordo para produção de DVD-ROM com uma empresa italiana. Este produto deve sair em dois anos, diz.
Para Gilberto Mariot, o Brasil é um dos melhores mercados de educativos multimídia. O leitor sente falta do disquete que acompanha a maioria dos livros. Daqui a pouco, não vai dar para vender livros sem o disquete, avalia.
Mais cautelosa, Ceciliany Alves, editora de projetos especiais da FTD, pretende trabalhar com calma os produtos. A idéia de transformar seus livros em multimídia veio dos professores. As escolas comecaram a se equipar com laboratórios multimídia. Faltavam CDs em português para atendê-las.
O primeiro lançamento da FTD foi o título Janelas da História, para alunos do 2º grau. O sucesso motivou a editora a lançar Império Romano, para estudantes de 9 a 20 anos, produzido pela historiadora Joelza Ester Rodrigues. O título é dividido em quatro grandes temas e tem requintes como mapas pintados a mão com aquarela. Além deste, há um CD-ROM infantil da Turma da Mônica que está saindo do forno.
O Mistério da Fábrica de Livros foi lançado pela editora Moderna no ano passado. Para Ricardo Arissa Feltri, diretor-executivo da editora, apostar no mercado multimídia é uma questao de sobrevivência. A empresa pretende investir R$ 400 mil este ano, 10% do investimento total, na produção de oito títulos em CD-ROM. A meta da Moderna é vender de seis mil a dez mil cópias anuais. As novidades começam a chegar este mês.


