E-zines formam a nova literatura virtual
Jay Dougherty
Deutsche Presse
De Washington
Você acredita que toda literatura atual padece do mesmo asfixiante mal, isto é, falta inspiração ou oportunidades? Se é assim, dirija-se à Internet. Ali, seja você leitor ou escritor com gosto pelo novo ou pelo original, descobrirá um dos segredos mais guardados do espaço cibernético: o mundo dos e-zines.
E-zines é a abreviatura em inglês de electronic magazines ou revistas eletrônicas e poderia servir para toda revista ou jornal que não é publicada em papel e sim online, através da Internet.
O mundo dos e-zines é bom para escritores desconhecidos, porque permite que eles se tornem conhecidos a baixo custo. E é bom para os editores, dando-lhes a possibilidades de vender diretamente a seus clientes, disse Steve Algy, curador do e-zine Arquivos de poesia não usual (Archives of Unusual Poetry), em www.paperbacks.com/poetry. É bom para todos. É uma porta aberta para todos, acrescenta.
Na verdade, os e-zines são isso mesmo: portas abertas que oferecem uma via de expressão à literatura e idéias que fogem da corrente tradicional.
Basta dar uma navegada por um dos índices destas revistas eletrônicas na Web para rapidamente se dar conta de que essas estantes virtuais não se parecem em nada com as da livraria da esquina.
Títulos - em inglês, claro - como Fechaduras e pintura corporal, Revista do Espaço Subterrâneo, Vômitos ou A Boneca Barbie Anarquista mostram que os e-zines estão livres das regras de propriedade intelectual e comercialização próprias das publicações convencionais.
E, apesar de parecer raro, segundo dizem os conhecedores do negócio, o mercado para literatura marginal, não conformista, é vibrante, se bem que não lucrativo, em todo o mundo.
Como editor, é claro, perde-se a clientela que acredita que é romântico ler na banheira, disse Brian Lennon, editor da Xenia Review, em www.xeniareview.com, uma revista eletrônica publicada em Nova York. Mas, ao contrário, ganha-se uma audiência enormemente receptiva que prolifera eletronicamente via e-mail e outros sites Web, disse.
Sem dúvida, essa audiência receptiva é uma das razões pelas quais editores e publicitários do ramo da literatura e arte alternativa estão proliferando na Internet. Até agora já existiriam mais de cinco mil revistas eletrônicas em uma dezena de idiomas. A maioria, no entanto, é em inglês, o idioma universal do mundo cibernético.
Labovitz deveria saber. Programador de computação, está formando desde 1993 um catálogo de publicações eletrônicas, e seu site E-Zine List, em www.meer.net/~ujohnl/e-zine-list se converteu no que sem dúvida alguma é na rede o melhor ponto de partida tanto para quem queira entrar no mundo dos e-zines ou para quem procure um título em particular.
No fundo, esta lista é um banco de dados de publicações eletrônicas alternativas. Mas Labovitz tem tomado tempo para fazê-la mais amena: pode-se selecionar título por título, ler sumários informativos de cada publicação ou buscar mediante palavras-chave.
A proliferação de e-zines, disse Labovitz, pode ser explicada somente com uma palavra: economia. Se você tem a tecnologia para por um e-zine na rede, assinala, o único investimento é o tempo.
Mas quem investe tempo, energia e dinheiro para editar um e-zine espera pouco retorno financeiro, se é que o espera. É verdade que existem e-zines que se tornaram suficientemente populares para obter ganhos mediante anúncios publicitários. Mas, para a maioria dos que publicam, contribuem e lêem e-zines, a recompensa se traduz na troca de idéias e interesses com outros.
Escrever, editar e publicar em meios eletrônicos me tem dado uma sensação de que estou mais ativo da comunidade que antes, disse Lennon. Isso, mais que nada, é a recompensa.
Poucos, no entanto, crêem que o negócio dos e-zines tenha um lado obscuro. Dizem que publicar na Internet é tão fácil que encontrar obras de qualidade é mais difícil do que seria com publicações impressas, que tipicamente têm mais recursos financeiros.
Aliando-se a isso a inconveniência óbvia de se ter acesso a uma publicação somente online, dificilmente alguém acreditará que estas publicações possam antecipar o fim das revistas tradicionais. Se tiver algum efeito, afirma-se, este será o de incitar o leitor a comprar obras impressas.Economia é a resposta para a proliferação de revistas eletrônicas na Internet, onde o único investimento real é o tempo
ReproduçãoReproduçãoPORTAS ABERTASPara literatos com habilidade tecnológica, os e-zines são acima de tudo publicações alternativas abertas a todos, que buscam ser uma via de expressão para autores pouco conhecidos ao mesmo tempo que rompe os limites dos convencionalismos literários





