E-mail à prova de espionagem
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quarta-feira, 09 de outubro de 2013
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Os temores a respeito da espionagem dos Estados Unidos no Brasil só se intensificam. Nesta última semana, veio a notícia de que o Ministério de Minas e Energia também teria sido alvo da espionagem dos norte-americanos e dos canadenses. Já é conhecido que a Petrobras e a presidente Dilma Rousseff também tiveram suas comunicações interceptadas.
No mês passado, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) anunciou um serviço de e-mail gratuito e criptografado que deverá ser oferecido pelos Correios à população em 2014. Com as denúncias de espionagem, muito se discutiu acerca do fato de que os servidores de serviços de e-mails utilizados no Brasil estão em território norte-americano e, portanto, submetidos ao controle daquele país.
O Serpro é o responsável pelo serviço de e-mail Expresso Livre, já utilizado por várias entidades governamentais, e diz que o e-mail a ser oferecido à população no ano que vem será mais seguro porque vai utilizar infraestrutura própria e software livre, além de ser criptografado.
Segundo os Correios, o serviço gratuito foi uma solicitação do Ministério das Comunicações. "Diante das notícias sobre a falta de privacidade, essa mudança de prioridade pode representar uma oportunidade de negócios", diz a nota enviada pela assessoria de imprensa. Apesar disso, a empresa afirma que a ideia do serviço eletrônico surgiu em 2012, depois que uma lei permitiu à ECT expandir sua área de atuação. Um dos projetos dos Correios era a oferta de serviços postais eletrônicos. A ideia inicial era trabalhar com soluções pagas com foco em empresas até o pedido do Ministério das Comunicações.
"O plano é desenvolver um serviço que ofereça mais privacidade que os serviços disponíveis hoje", continua a nota dos Correios. Entre os diferenciais destacados pela empresa estão autenticação segura com dupla checagem; criptografia das bases de dados, com algoritmo de alto desempenho e poder criptográfico; criptografia do canal entre o dispositivo do usuário e o servidor; e replicação de bases de dados em sites distintos, garantindo alta disponibilidade.
Mesmo com as denúncias de espionagem sobre as comunicações da presidência da república, o presidente do Serpro, Marcos Vinícius Ferreira Mazoni, que já esteve à frente da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), afirma que o Expresso Livre não foi afetado. O serviço é utilizado por dois terços da presidência. Ele detalha que o ambiente do serviço é "extremamente seguro", pois não está na "nuvem" como os conhecidos serviços de e-mail e é baseado em software livre.
Mazoni explica que o fato de ser um software livre pode garantir que o serviço não tem uma "porta dos fundos" por onde possa haver acesso indevido, pois o código-fonte é aberto e "auditável".
Além disso, os serviços de e-mail mais populares têm origem norte-americana, e utiliza servidores internacionais, que ficam submetidos a leis estrangeiras. Os servidores utilizados pelo Expresso Livre estão localizados em solo brasileiro, e portanto estão sob controle nacional.
De acordo com o presidente do Serpro, ao oferecer o serviço de e-mail criptografado à população será necessária a ampliação da infraestrutura. Para isso, deverá formar parcerias com os Correios, Governo Federal, bancos públicos e até com empresas do setor de telecomunicações. "Vamos estabelecer regras de segurança que serão homologadas por nós."
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