E-commerce no Brasil já é muito competitivo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de dezembro de 2000
João Caminoto Agência Estado 
O total de usuários da internet no Brasil, que no final deste ano deverá ser de 12,65 milhões de pessoas, vai saltar para 55,91 milhões em 2005, segundo um estudo divulgado semana passada, em Londres, sobre o potencial do E-business na América Latina realizado pela Pyramid Research, uma divisão de pesquisas da Economist Intelligence Unit (EIU). Segundo o estudo, em 2001 o Brasil terá 18,72 milhões de internautas e esse total aumentará em cerca de dez milhões de pessoas anualmente até 2005.
A EIU afirmou que o uso da internet na América Latina tem mostrado um crescimento explosivo, saltando de apenas 1,4 milhões de usuários em 1995 (522 000 no Brasil) para mais de 17 2 milhões em 1999 (7,83 milhões no Brasil). Esse crescimento meteórico na América Latina deve continuar, alcançando 97.3 milhões de usuários em 2003 e superando os 162 milhões em 2005, afirmou a EIU.
Segundo a EIU, o Brasil é o centro dessa explosão da internet na região. Não causa surpresa que o Brasil, o maior mercado da região, tem estado no centro do desenvolvimento da internet. Em 1999, o país abrigava quase metade dos usuários da internet da região, um número três vezes superior ao do México, o seu principal competidor. Em 2000, outros países, principalmente o Chile e a Argentina, começaram a mostrar seu potencial, mas o Brasil reteve seu papel de líder e de pólo de atração da maior parte dos investimentos.
O estudo diz que a América Latina, numa análise superficial, não parece ser o terreno mais fértil para o desenvolvimento de negócios ligados à internet. A baixa renda per capita significa que poucas famílias podem se dar ao luxo de comprar computadores. Além disso, uma carência histórica de investimentos deixou muitos países com uma pobre infra-estrutura de telecomunicações, os níveis educacionais são inferiores aos dos países desenvolvidos, a burocracia é forte e o setor de logística ainda está em sua infância. Entretanto, a região abriga 500 milhões pessoas, que estão divididas apenas por um idioma, o mercado é jovem e cresce rapidamente (60% da população da América Latina tem menos de 30 anos de idade), o que significa uma ligeira adoção de novas tecnologias.
Além disso, a EIU ressaltou que novas tecnologias e enormes volumes de investimentos estão transformando o setor de telecomunicações. Os governos da região estão usando a internet para promover mudanças sociais e econômicas. Novas empresas dotcom, inspiradas em modelos dos Estados Unidos, se apressaram em estabelecer suas marcas. Empresas tradicionais brick and mortar destinaram grandes somas de dinheiro para estabelecerem na nova economia.
O estudo afirma que o setor de E-commerce no Brasil já é muito competitivo e, segundo algumas estimativas, foi responsável por 75% dos gastos online na região em 1999. O domínio do Brasil gera um dilema para muitos empresas de internet na América Latina, disse a EIU. Num mercado incipente, os investidores tendem a escolher estratégias regionais em vez de estratégias locais. É importante que as empresas adotem estratégias regionais para se beneficiarem de economias de escala, disse um recente relatório do banco de investimentos norte-americano Morgan Stanley Dean Witter.
Mesmo assim, por causa das barreiras do idioma e culturais, empresas latino-americanas constataram que é difícil cruzar a fronteira do Brasil. O mesmo problema acontece na era da Internet: O portal Universo Online (líder no Brasil e na América Latina) tem lutado arduamente para expandir-se nos países de língua espanhola, enquanto um de seus rivais pan-regionais, a Starmedia Network, permanece um peso-leve no Brasil, afirmou a EIU. Dos portais, apenas a Terra Networks parece ter estabelecido uma presença razoavelmente forte tanto no Brasil como nos países de língua espanhola, embora tenha pago um alto preço em termos de publicidade.
Segundo a EIU, a estatísticas globais escondem um importante fator para os negócios: a penetração da internet na América Latina não será igual entre os todos os grupos sócio-econômicos ou grupos etários. Em 1999, a penetração da internet na América Latina, no geral, era menor do que 3%. Entretanto, dados nacionais escondem estatísticas mais promissoras. No Brasil, por exemplo, menos de 5% do total da população tinha acesso à Internet em 1999, mas entre a classe média e classe alta esse número subia para 30%. O estudo disse que as projeções de crescimento indicam que 20% da população da América Latina, que detém 60% do poder de compra da região, muito em breve terá acesso universal à internet. Somente esse fato torna impossível que qualquer indústria de consumo ignore o novo meio.
O Brasil ocupa 34º. lugar no ranking da EIU que mede quais são os países mais preparados para o e-business no mundo. O líder na América Latina é o Chile, que está no 22º lugar, seguido pela Argentina (26º), México (33º). Os Estados Unidos ocupam a liderança entre os sessenta países pesquisados e o Iraque é o lanterninha.


