O final do ano passado foi movimentado para o universo de livros digitais no Brasil, apesar desse mercado ainda ser pouco expressivo no País. Na primeira semana de dezembro a Amazon lançou sua loja brasileira de e-books, a Kindle Brasil, assim como seu aplicativo. No mesmo período, o e-reader da Livraria Cultura, o Kobo Touch, chegou às unidades da rede e a Google anunciou a venda de livros pela sua loja de aplicativos Google Play. Quase duas semanas depois, a Amazon lançou seu e-reader Kindle por aqui. A loja de e-books da Apple, a iBookstore, iniciou suas atividades no País em outubro de 2012.
Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), ressaltou que o mercado brasileiro de livros digitais "ainda apresenta-se como uma promessa, uma vez que as vendas neste momento são irrisórias". De acordo com ela, o faturamento do setor editorial com a venda de e-books no Brasil em 2011 foi de apenas R$ 868,5 mil, enquanto que com livros impressos, o setor faturou R$ 4,8 bilhões. No mesmo ano, apenas 9,5 milhões de leitores no Brasil - o equivalente a 5% do público leitor brasileiro -, tiveram acesso a livros digitais, calculou Karine.
No entanto, com a entrada de grandes players do mercado brasileiro e a popularização dos tablets e e-readers, a presidente se disse otimista com o futuro dos e-books no Brasil. "Acho que os números mostram que, independentemente do formato, a penetração da leitura tende a crescer e que os brasileiros aprenderão, cada vez mais, a usufruir dos diferentes formatos de livro conforme suas necessidades e circunstâncias."
A Livraria Cultura também aposta suas fichas no mercado de e-books. Começou a comercializar o produto em 2010 e, atualmente, 1 milhão dos seus 6,7 milhões de títulos disponíveis são de livros digitais. Até a metade de 2013, a livraria pretende mais que dobrar o número de e-books para 3 milhões. Em breve, outros dois modelos do Kobo devem chegar à livraria.
Apesar de as vendas de e-books ainda serem pequenas, o CEO da Livraria Cultura, Sérgio Herz, se mostrou surpreso com a demanda dos clientes pela novidade. Do início das vendas de seu e-reader, em 5 de dezembro de 2012, até a véspera do Natal, foram vendidos mais e-books que em 2011 inteiro, ele afirmou. Na opinião de Herz, a falta de "ecossistemas amigáveis" para a leitura de e-books é o que fez o mercado de livros digitais se desenvolver tão lentamente de início.
No Paraná, a Livraria Curitiba entrou no mercado de e-books dois anos atrás "para seguir a tendência do mercado", afirmou Evellyn Vaz, compradora de e-books da livraria. Possui cerca de 9 mil títulos à venda, por meio de um fornecedor que trabalha com quase 200 editoras. Segundo Evellyn, as vendas de e-books crescem a cada mês, mas a passos lentos.

Imagem ilustrativa da imagem E-books desembarcam no País





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