Por causa dos ataques realizados pelos Estados Unidos a países inimigos com o uso de drones, a palavra obteve sentido negativo. Acontece que esta é apenas uma designação estrangeira para Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), e nesta categoria, também se encaixam os multirrotores, equipamentos utilizados para captação de imagens aéreas em baixa altitude.
Equipados com quatro a oito motores, os multirrotores se assemelham a um pequeno helicóptero e são capazes de realizar voos remotos ou até mesmo voos autônomos programados por computador. Isso quer dizer que o equipamento é guiado à distância, por meio de um controle remoto.
Os multirrotores têm sido utilizados no Brasil para fotos e filmagens aéreas em substituição ao tradicional helicóptero ou avião, cuja contratação custa caro. O equipamento chama a atenção por onde passa. Aqui em Londrina, o pessoal da empresa Skylens adquiriu um e já realizou trabalhos pela região. Na última ExpoLondrina, por exemplo, eles atraíram a atenção dos visitantes. O equipamento foi adquirido com uma empresa de São Paulo, que importa tecnologia norte-americana e alemã. O investimento foi de R$ 60 mil.
A equipe utiliza o equipamento para fazer vídeos institucionais, casamentos, fotos de chácaras. O serviço também pode ser útil para a inspeção ambiental, exemplifica Alessandro Akio Hirooka, da Skylens.
O multirrotor pode subir até 300 metros de altura e é guiado por dois controles remotos. Um faz o controle do voo, o outro controla a grua com a câmera fotográfica, que pode rotacionar 360 graus na horizontal e também direcionar a lente da câmera para baixo. A comunicação é feita via rádio, e por um equipamento chamado "downlink" podem ser visualizadas as imagens.
Para Hirooka, uma das principais vantagens de utilizar o multirrotor para fotos e filmagens aéreas está na estabilidade da imagem, já que a grua que comporta a câmera possui um estabilizador para não balançar durante o voo. Outra vantagem aparente é o custo. Um contrato de quatro horas de uso do multirrotor, segundo Hirooka, custa R$ 1,5 mil, enquanto a contratação de um helicóptero pode chegar a R$ 4 mil a hora.
Além disso, helicópteros não podem fazer imagens de baixa altitude, completa Thiago Kraus, um dos sócios da Drones4you, empresa que faz a montagem e programação de multirrotores em São Paulo.

Mercado brasileiro
Segundo Kraus, o mercado de drones para filmagem e fotografia profissional no Brasil tem apenas três anos. No início, era comum fazer fotos e filmagens utilizando aviões e helicópteros de controle remoto. "Mas a qualidade nunca foi muito boa."
No Brasil, ele estima que haja 50 equipamentos destes, sendo que apenas 15 estão em atividade com serviços de foto e filmagem. "No Brasil, o multirrotor está sendo utilizado por exemplo, para mapeamento de lavouras." Nos EUA, Canadá e Inglaterra, ele afirma que é comum o uso do equipamento no setor militar, para monitoramento, busca e resgate.
Kraus alerta, entretanto, que para pilotar um multirrotor é preciso treinamento. "Muitas pessoas, para vender, dizem que o equipamento voa sozinho. Mas quem não tem conhecimento acaba comprando e nunca mais usando, ou até colocando pessoas em risco." No contrato de venda da empresa de Kraus está prevista a não entrega do equipamento caso o cliente não esteja apto a pilotá-lo.
Em países como Austrália e Inglaterra já é preciso ter licença específica para "voar" comercialmente com um multirrotor, afirma Kraus. No Brasil, entretanto, ainda não existe esta exigência, ele diz.

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