ReproduçãoDolly, a criação do escocês Ian Wilmut, é a primeira cópia genética de um animal adulto. Pesquisa abre para a ciência um novo mundo de possibilidadesHá cerca de duas semanas, a ovelha Dolly foi revelada ao mundo. Cientificamente, Dolly é um clone, ou seja uma cópia perfeita de um outro ser vivo. O procedimento para a sua produção via laboratório foi aparentemente simples. Células mamárias (somáticas) retiradas de uma outra ovelha foram fundidas com um óvulo (célula embrionária) sem o núcleo de um outro animal. Este óvulo, com o material genético da ovelha doadora, foi implantado no útero de um terceiro animal onde Dolly se desenvolveu. Pouco tempo depois, nascia na Escócia a cria do embriologista Ian Wilmut.
Entre o fato científico e sua função social não faltaram especulações. De repente, veio à tona a hipótese de clonagem de seres humanos. A possibilidade de criar exércitos de homens e espécies surgiu como um pesadelo possível, mas absolutamente desnecessário.
‘‘Os cientistas não estão preocupados com a clonagem humana. O objetivo da ciência é melhorar a qualidade de vida dos indivíduos e não é interessante para nenhuma espécie ter seres iguais. A vida sobrevive da genética dos indivíduos’’, explica o especialista em genética humana Mário Sérgio Mantovani, da Universidade Estadual de Londrina. ‘‘Mas já é possível produzir seres iguais em laboratório. A técnica de fertilização in vitro, por exemplo, pode levar à bipartição do embrião e formar gêmeos univitelinos’’, completa.
Uma experiência realizada nos EUA há quatro anos ratifica as palavras do especialista e mostra que as especulações em torno da clonagem não são novidade. Na época, os pesquisadores fizeram dezenas de cópias idênticas de um embrião humano. As sementes acabaram destruídas. Hoje, nos Estados Unidos, é proibida a realização desse tipo de pesquisa.
Diante da revolução técnica da fertilização in vitro, qual seria a importância do novo método de clonagem em animais? Segundo Montovani, as pesquisas podem trazer informações importantes sobre o clone formado a partir de uma célula adulta que voltou a ser embrionária.
Entre essas informações estão o mecanismo de taxa de sobrevivência celular, a regulação gênica e a origem da formação de doenças. ‘‘Na célula adulta, alguns segmentos de DNA já estão bloqueados e outros estão em funcionamento. Voltando à origem embrionária é possível observar como a célula atua para desreprimir alguns genes que serão necessários novamente’’, diz Montovani.
Paralelamente à clonagem, a manipulação genética é uma outra linha de pesquisa que pode trazer benefícios efetivos para o homem. O isolamento de determinados genes em breve poderá solucionar o problema dos transplantes. A criação de animais transgênicos, com órgãos compatíveis aos dos humanos, já é realidade para algumas empresas européias e americanas, que estão fazendo experiências com suínos. É a chamada Biotecnologia, conceituada como o uso de organismos vivos ou parte deles para à obtenção de um produto.
No Brasil, as pesquisas de manipulação do material genético em animais e seres humanos já está regulamentada (ler texto nesta página). A terapia gênica é um dos campos de estudos desenvolvidos no país. A intenção é isolar os genes que causam determinadas doenças, para posteriormente fazer a geneterapia, com a reintrodução desses mesmos genes no indivíduo.

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