DOI: Identificador está sendo testado
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quinta-feira, 06 de novembro de 1997
Agência Globo 
De lá para cá, a indústria editorial não mudou muito. No século 19 apareceram tanto a mecanização da fabricação de papel quanto a linotipia, duas razoáveis revoluções, mas o espírito da coisa permanecia imutável: um livro era um livro era um livro. Em outras palavras, um objeto composto essencialmente de papel e tinta.
Como toda indústria cultural, também a indústria editorial vive há muitos séculos em crise permanente. Ao longo do século 20 tudo tem sido motivo de susto e de alarme, do aparecimento dos primeiros mimeógrafos ao lançamento das copiadores, do rádio e do cinema à televisão. Mas nada, rigorosamente nada, abalou tanto a comunidade livreira quanto o aparecimento da mídia eletrônica: uma tecnologia que surgiu de um momento para o outro, sacudiu meio mundo num espaço de cinco anos e já começa a ser considerada ultrapassada.
O que se faz com isto?! Incorpora-se ao patrimônio, naturalmente - ainda mais porque, em termos de conteúdo e de know-how, as editoras continuam com a faca e o queijo na mão. De modo que, de uns tempos para cá, o CD-ROM, aquela terrível ameaça, tornou-se parte integrante do belo mundo das bibliotecas e livrarias.
Os editores continuam à beira de um ataque de nervos - mas desta vez, por justa causa. Se jamais passaria pela cabeça de ninguém xerocar todos os 32 volumes da Encyclopedia Britannica, por exemplo, a idéia de copiar o único CD-ROM com a íntegra do texto e uns 40% das ilustrações e mapas não deixa de ser tentadora e é facilmente realizável. O mesmo vale para dicionários, obras de referência, livros técnicos e por aí vai. Isto para não falar na disponibilização de conteúdo na Web, considerando-se que os sistemas de senhas existentes deixam muito a desejar.
A ameaça é real e não pode ser subestimada: pela primeira vez em dois mil anos a indústria tem um motivo real para ficar preocupada. Durante a última Feira do Livro em Frankfurt, toda e qualquer conversa (Puxa, como está frio...) dava umas voltas para cá e para lá e acabava, invariavelmente, na palavra proteção.
Alguns dispositivos bastante eficientes de assinaturas digitais já foram desenvolvidos para CD-ROMs: à semelhança dos antigos pontos de laser nos disquetes de 51/4, são constituídos por uma pequena série de marcas, que só permitem a cópia daquele disco para outro com uma série idêntica. Ou seja: só na fábrica.
O grande calcanhar de Aquiles da indústria chama-se Internet - e é aí que se está desenvolvendo um projeto muito curioso, o DOI (Digital Object Identifier). Desenvolvido e testado no ano passado, o DOI já está sendo usado, num projeto piloto, por cerca de 20 editores europeus e americanos.
A idéia é simples: os editores registram-se junto a um diretório central, que lhes fornece um prefixo específico. A este junta-se um código para designar o produto. Ao acessar determinada empresa, o usuário chega, na verdade, a este roteador - e de lá só sai rumo ao seu destino se estiver limpo. Moral? A união faz a força.


